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Cultura

 

A Temporada Cruzada Portugal-França foi apresentada hoje numa conferência de imprensa comum aos dois países, com a Comissária francesa a anunciar, em entrevista à Lusa, uma retrospetiva do artista francês Gerard Formager no Museu Berardo.

“Esperamos que os laços criados por esta temporada continuem e que sejam alimentados, que tenham continuidade. A Temporada é uma aposta no futuro e na cultura, ciência e educação. A experiência de outras temporadas mostra que isso é possível”, disse a Comissária francesa desta iniciativa, Victoire Bidegain di Rosa, em entrevista à Lusa.

Instalada em Portugal desde 2014, e com um longo percurso na divulgação cultural francesa no exterior, Victoire Bidegain di Rosa admite que a Temporada cruzada, que vai começar em fevereiro entre França e Portugal, vai falar do “futuro”, consciente das diferenças entre os dois países, até porque os gauleses organizam há mais de 30 anos este tipo de iniciativas com outros Estados.

“É verdade que os nossos países não são simétricos, portanto a ideia nunca foi fazer exatamente o mesmo número de exposições em França e em Portugal, porque não temos o mesmo número de instituições. Em certos setores da cultura, muitos artistas portugueses são obrigados a vir trabalhar em França para participar no mercado da arte, mas, noutros setores, Portugal está mais avançado do que a França”, constatou.

A música e a ‘street art’ são dois dos setores onde os lusos estão mais à frente, segundo a comissária, defendendo que há “um desejo recíproco” dos dois lados para trabalhar em conjunto. No entanto, Victoire Bidegain di Rosa tem consciência de que as instituições culturais em Portugal “são mais frágeis” e têm menos ajudas do que em França.

Esta temporada vai traduzir-se em mais de 500 eventos entre 86 cidades francesas e 46 portuguesas.

Portugal vai estar presente no Museu do Louvre, também no Museu de la Marine e ainda em vários concertos na Philarmonie de Paris, mas em Portugal os eventos também se vão suceder, como uma exposição que arranca, já a 16 de fevereiro, no Museu Berardo, do artista francês Gerard Formager. Falecido em junho de 2021, Gerard Formager foi um importante pintor francês comprometido com causas sociais e políticas.

Também o Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT) vai acolher, a partir de março, uma exposição de obras que pertencem a Antoine de Galbert, um dos maiores colecionadores de arte moderna, a nível mundial.

Apesar de já ter realizado muitas temporadas cruzadas, Victoire Bidegain di Rosa lembra que esta é a primeira vez que França organiza um projeto deste género com um país tão próximo geograficamente, o que permite alargar as discussões entre os dois Estados. “Há uma tal proximidade e familiaridade de laços entre os dois países que podemos ir mais longe. Não é só mostrar estes países, é falar em conjunto sobre temas que nos interessam e fazê-los progredir na Europa”, defendeu, acrescentando que, por acontecer durante a presidência francesa da União Europeia, esta iniciativa tem “um contexto europeu muito forte”.

Quanto ao envolvimento da Comunidade portuguesa em França, na temporada, a Comissária francesa declarou que haverá projetos de lusodescendentes um pouco por toda a França. “Tentámos, desde o início, falar com as Comunidades, já que esta iniciativa os vai tocar diretamente. Falámos com diferentes associações de lusodescendentes em França, convidei-os a apresentarem projetos, e temos muitos projetos nesse sentido em diferentes regiões em França”, declarou.

O mapeamento de todos os eventos nos dois países pode ser conhecido a partir de hoje, num ‘site’ construído especialmente para este efeito, com a cooperação dos Ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros de Portugal e de França, assim como do Instituto Francês e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

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