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O organizador do festival de música eletrónica Dancefloor, Tiago Martins, considera que a edição de 2021 tem “tudo para arrancar”, mas precisa de regras concretas por parte da Direção-Geral de Saúde e disponibiliza-se a ser “um evento teste”.

“Temos bons contactos com as salas, mas o facto de não haver decisões e regras para este tipo de eventos é complicado e eu estaria disposto a ser um evento teste, com todas as regras do que fazemos em França”, afirmou o lusodescendente que organiza o festival a partir de Paris, em declarações à Lusa.

O Dancefloor é um festival de música eletrónica que desde há dois anos se realiza em Braga, antes disso realizava-se em Leiria, e que reúne anualmente 20 mil pessoas.

Com a edição de 2020 adiada devido à Covid-19, a organização, composta por diversos empresários lusodescendentes espalhados pela Europa, espera poder realizar a edição de 2021 a 30 e 31 de julho. “Neste momento está tudo mais ou menos pronto para arrancar. A situação da pandemia é que nos vai fazer tomar as próximas decisões”, assegurou Tiago Martins.

Este lusodescendente é também Presidente da agência de marketing Marque & Co que trabalha em França com marcas como Danone ou Sanofi, mantendo eventos e parte da sua atividade mesmo durante a pandemia, considerando que o que falta em Portugal são “decisões claras”.

“A grande dificuldade com Portugal neste momento é não haver decisões francas e claras e a grande diferença em relação a França […] é que as autoridades francesas dão-nos regras e quem não cumprir as regras leva multas bastante fortes. O facto de não haver decisões sobre as regras [em Portugal] traz uma incerteza”, declarou.

Em termos da relação entre o espaço e as medidas sanitárias – o Dancefloor decorre no Altice Forum Braga -, a organização pensa criar quadrados com um número limitado de pessoas, em que amigos poderiam conviver e dançar sem máscara, utilizando-a nas zonas de circulação.

Adepto do passaporte vacinal ou uma medida europeia que unifique todas as formas de assegurar que uma pessoa não está contagiada pelo vírus, Tiago Martins conseguiu garantir junto dos seus parceiros a distribuição de máscaras e gel gratuitos para os festivaleiros, sem impactar o orçamento do evento.

“Economicamente já trabalhamos o festival para não perder nem ganhar dinheiro. Em termos da pandemia, já encontrámos um parceiro que está disposto a fazer todos os testes à entrada, oferecer máscaras aos festivaleiros e pôr gel em todos os recantos do festival”, explicou.

A edição de 2019 do festival teve um orçamento de 350 mil euros e em 2020 previa-se um aumento. Sem perspetiva de lucros para 2021, os empresários lusodescendentes estão sobretudo preocupados com as empresas e trabalhadores portugueses. “Eu pessoalmente não tenho tido ajudas relativamente ao festival. Mas gostaria tanto que os meus técnicos de som e de luz tivessem ajuda porque nós temos de ser solidários”, declarou Tiago Martins.

Quanto ao regresso do público do Dancefloor, a organização não tem dúvidas. “As pessoas querem estar juntas e querem experiências, querem viver, mesmo que realizássemos um quadrado de 20 metros quadrados com 10 pessoas lá dentro, já seria tão bom ouvirem música e terem uma luz verde para um futuro melhor, que as pessoas iriam aderir”, concluiu o empresário.

 

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