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O jornalista Artur Silva, cofundador da Rádio Alfa em Paris, decidiu sair em 8 dias, quando recebeu a guia para se apresentar no quartel. Mas confessa ao LusoJornal que “na verdade, a decisão já tinha sido tomada antes”.

O percurso militar de Artur Silva estava traçado: “devia entrar na tropa, fazer a recruta, tirar a especialidade, e depois devia ser eu a dar recruta, passaria um ano a um ano e meio em Portugal e depois iria diretamente para a Guiné” conta.

Arrancou de Lisboa com amigos. “Quando chegámos à Guarda, entrámos num café, a senhora começou a olhar para nós, perguntou-nos que queríamos ir para França, mandou-nos passar para trás, no meio das grades de vinho e de gasosa. Ela disse-nos que nos arranjava os bilhetes até Paris, mas tínhamos de pagar mais 500 escudos para passar para Espanha” e o “negócio” ficou fechado. “No final da tarde um táxi levou-nos até às imediações da fronteira, perto de Almeida e indicou-nos o caminho, passámos por uns arrozais e molhámos os pés. Do lado de lá um táxi estava à nossa espera, levou-nos até Cuidad Rodrigo, dormimos num hotel, no dia de manhã foi-nos buscar, levou-nos a Fuentes de Honor, pediu-nos o bilhete de identidade e 5 escudos. Meia hora depois tínhamos um salvo-conduto e podíamos estar um mês em Espanha. Apanhámos uma automotora até Salamanca e depois o comboio para Hendaye” lembra Artur Silva.

Quando a Polícia foi procurá-lo a casa, já estava em França. “Eu não sabia era o que me podia ter acontecido em França. A situação não era tão evidente como isso e praticamente ninguém conseguiu asilo político em França”.

Mas que importa as dificuldades se o que conta são as convicções? “Tomei a decisão de não fazer a Guerra colonial porque quem vai à Guerra, dá e leva. Eu parti do princípio que os povos africanos mereciam e deviam ter a sua independência, então não era eu que havia de me opor à independência deles. Tanto mais que eu já me opunha ao regime de Salazar” argumenta ao LusoJornal. “Era arriscado, mas uma pessoa arrisca porque tem convicções”.

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