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Cultura

 

Para quem teve a oportunidade de assistir aos dois espetáculos com que a fadista Andreia Rio brindou o Restaurante “Mercado Negro” de Roubaix, recordação vai ficar com a voz, a emoção que a fadista conseguiu fazer passar.

LusoJornal aproveitou para saber um pouco mais de Andreia Rio, ela que participou no programa de televisão The Voice, na edição da Bélgica e na de Portugal.

 

Há quanto tempo anda nestas andanças do Fado?

Eu canto desde pequena, contudo comecei a cantar o fado somente com a idade de 14 anos. Na minha aldeia organizaram uma Noite de fado, convidaram-me para cantar. Cantei dois fados e a partir daí nunca mais parei.

 

Houve alguém que lhe inculcou o gosto pelo fado?

Na minha casa muito se ouviu fado, sobretudo Amália. Tínhamos muitas cassetes da Amália, o meu pai gostava muito de fado, contudo pessoalmente nunca tinha cantado fado, cantei pela primeira vez naquela festa da minha aldeia.

 

Chegou a ir a Lisboa ou outro lado ouvir fado?

Eu sou de Sapiãos, Boticas, fui uma ou duas vezes escutar fado em Lisboa, mas não tenho a cultura das grandes casas de fado de Lisboa.

 

A Andreia já foi emigrante na Bélgica, teve mesmo oportunidade de participar no The Voice Bélgica e depois também concorreu no The Voice Portugal. Será que este tipo de programas ajuda a lançar ou relançar uma carreira?

Dá sempre uma outra visibilidade, participar num programa de televisão. É sempre uma mais-valia, cria uma certa curiosidade, as pessoas têm mais vontade de ir ver e escutar. Se este tipo de concursos é primordial para o fado, não sei bem. Sei que é uma boa rampa de lançamento, é sem dúvida.

 

Está aqui em Roubaix, no restaurante o Mercado Negro. Como se passou os dois concertos?

Foi surpreendentemente agradável. Penso que as pessoas saíram daqui muito contentes. Foi emocionante mesmo, havendo muitas pessoas que não percebiam o português, todas elas vieram felicitar-me. Sentiram a emoção. Ao fim e ao cabo, o fado é isto, passar emoção, mesmo que as pessoas não compreendam o que se está a dizer, acho que consegui fazer isso, senti que as pessoas ficaram muito contentes.

 

Acha que este conceito de “Fado Show” criado por Amândio e Oceano, é uma boa maneira de promover o fado?

Acho que é uma excelente ideia de promover a cultura portuguesa, mas também de dar um mimo aos Portugueses que estão fora do seu país e as pessoas que não conhecem e que não fazem uma ideia do que é nossa cultura, possam saborear um pouco daquilo que é nosso, o fado.

 

Será que o público no estrangeiro é o mesmo, assim como a maneira de sentir as emoções do fado?

Tendo tido a oportunidade de fazer espetáculos em Portugal e no estrangeiro, digo que não é a mesma coisa, o público é o mesmo, embora haja muitos amantes de fado em Portugal. Sinto no público que está fora do país e mesmo junto de pessoas que não são portuguesas, um calor diferente. Será pelo facto das pessoas estarem longe, será o matar a saudade do país e da família? É verdade que sentimos de uma maneira diferente.

 

Ser uma exportadora da saudade, será que sente um certo orgulho de o fazer?

É para mim uma grande responsabilidade, mas sobretudo um grande orgulho de ter este dom para transmitir às pessoas aquilo que, falando não conseguimos dizer, cantando fado consigamos, cantando é mais fácil transmitir toda aquela emoção.

 

Há muita maneira de cantar o fado, há quem se lance em novas experiências a nível do fado. Neste início de carreira qual é o fado que canta e que gosta de interpretar?

Sou uma grande fã de Amália Rodrigues e quero continuar por esse caminho, é aquilo que gosto de fazer, sinto-me uma divulgadora do fado tradicional. É aquilo que, por enquanto, continuo a praticar.

 

É fácil de conciliar, por enquanto, a sua profissão de enfermeira com o facto de cantar fado?

Sim, tem sido fácil. Tenho toda uma equipa comigo que me apoia, tenho um marido que me ajuda. Até agora tem sido fácil conciliar as duas vertentes, mesmo se a enfermagem por enquanto a faço a 100%. Foi bom voltar a Portugal, tenho lá cantado, foi bom regressar e também cantar no nosso país.

 

Andreia tem algum trabalho em curso?

Estou a pensar em gravar um CD, algo de físico, com que os meus filhos possam ficar, algo físico da mãe. Está a levar o seu tempo, mas está para ser feito.

 

Andreia Rio iniciou os dois espetáculos em Roubaix com a canção “O grito” de Amália Rodrigues.

Se tiverem oportunidade de ouvir Andreia Rio, não há tempo para hesitações. Ganhamos em conhecer e apreciar a voz extraordinária desta fadista.

 

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