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O que aconteceu ao pintor António Cristóvão em Reims é digno de ser assinalado.

É que a Exposição dos Artistas de Arte Contemporânea que teve lugar na capital do Champanhe foi designada internacional porque António Cristóvão veio diretamente de Portugal, do seu Estoril natal.

Era o único não francês. Mas, no seu stand, onde expunha vários quadros, a organização não se esqueceu de o distinguir com a bandeira portuguesa.

No ato da inscrição nem foi necessário identificar-se. Foi logo saudado pelo seu nome, certamente reconhecido pelo seu sotaque inconfundível.

Num salão onde havia tantos expositores, pude constatar o interesse dos visitantes pelas obras deste pintor. Paravam, admiravam, tomavam notas, ficavam cativados pelas cores ocres, esverdeadas, amareladas, com os seus traços incisivos a delimitar as formas e o espaço, afirmando a grande personalidade do seu autor.

A cativação dos visitantes era maior porque os quadros reportavam-se a temas da região de Reims nos quais podiam identificar quer a famosa catedral num motivo urbano no qual se reconhecia o elétrico, cuja parte da frente tem a forma de uma taça de Champanhe, recentemente introduzido nesta cidade, quer o centenário canal, bem necessário para escoar o famoso Champanhe da região, quer ainda a paisagem bucólica com a igreja românica e o casario à volta, bem característico de algumas aldeias que ainda por ali se encontram.

Quando, no mês de junho, António Cristóvão deixou Bruxelas onde expôs em várias galerias de arte, regressou de automóvel a Portugal, o seu GPS avariou durante a viagem. Por um feliz acaso, foi parar à região do Champanhe onde viria agora expôr.

Foi por esta ocasião que, embora perdido no seu regresso a Portugal, se encontrou com a paisagem bem típica da Champahne-Ardennes, onde fez alguns croquis que depois trabalhou no Estoril, já que a distância dá sempre outra perpetiva e melhor inspiração.

António Cristóvão cativou também a atenção dos seus colegas expositores. Foi consolador ouvir de um velho pintor «qui a pignon sur rue» – Denis Ribas: – bem-vindo, António, porque a tua pintura é das melhores que temos nesta exposição!

E esta exposição teria de terminar insólita e inabitual como tinha começado. António Cristóvão notou a emoção de um visitante que olhava com a maior atenção para um quadro com uma paisagem multicolor. Pretendia ver a igreja onde tinha sido batizado e a casa onde tinha nascido. Nem queria acreditar! O pintor mencionou-lhe o nome da aldeia onde tinha feito o croquis: Marne-Champagne! O visitante arregalou os olhos e as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Correu a dar a notícias aos amigos que vieram constatar a veracidade das suas impressões. Não houve qualquer hesitação na compra do quadro onde estava espelhada a sua infância e, ao deambular pelo salão da exposição, com a pintura debaixo do braço, contava o seu maravilhoso encontro com o quadro e o pintor António Cristóvão, que também ele se sentia feliz por este «happy end», quase digno de um conto de fadas.

 

 

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