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As «Turbulências» de Armindo Pina, livro traduzido em francês

LusoJornal / Manuel André LusoJornal / Manuel André LusoJornal / Manuel André

Todas as histórias de imigrantes podem começar da mesma maneira, mas há maneiras que ultrapassam as barreiras do suportável.

Entre pobreza e sucesso, tudo é relativo, é o relato de um miúdo nascido em Ossela, aldeia do concelho de Oliveira de Azeméis.

A violência doméstica afastou a família Pina das suas origens, e Graulhet, pequena cidade do Tarn, foi a terra de acolhimento para a mãe e os seus cinco filhos. Armindo tinha apenas 9 anos quando foi forçado a deixar a sua terra natal.

A adaptação foi difícil ao novo país, a língua, a frustração de não ter sido futebolista profissional em terras de râguebi, o amor incompreendido, o suicídio do pai que idolatrava, com 39 anos de idade, e o Armindo apanhou o comboio em direção de Portugal onze anos mais tarde.

Há calendários que não perdoam, no final dos anos 80 Portugal estava a renascer das suas cinzas imperiais, e Armindo Pina acertou na sua escolha.

Formou-se em Medicina Holística, um tratamento médico que privilegia e encoraja o paciente em autocurar-se.

Para curar as suas próprias feridas, encorajado pelos seus próprios pacientes, o agora Doutor Armindo Pina, escreveu um livro autobiográfico para contar as suas experiências pessoais.

O sucesso chegou através de um convite da televisão portuguesa – TVI – onde o autor pode expor durante meia hora em frente da famosa apresentadora portuguesa Fátima Lopes, as suas emoções.

Os onze anos da vida de Armindo Pina, agora com 53 anos, passados em Occitanie, deixaram traços inesquecíveis, e nesse sentido, depois de o livro ser traduzido em francês, da sua própria tradução e com poucas ajudas, o autor quis apresentar o livro aos amigos.

Um sonho concretizado no sábado 27 de outubro, na Médiathèque de Graulhet, onde muitas caras conhecidas compareceram e puderam assistir à projeção de diapositivos promovendo a edição francesa de “Turbulences”, com dedicatórias personalizadas.

“Há muitos anos que não tinha voltado à terra que tanto me ajudou a crescer. Toda a minha família regressou a Portugal, aqui ficou a memória do fim da minha infância e do início do homem que sou hoje, entre dor e felicidade”, disse Armindo Pina ao LusoJornal.

Uma segunda autobiografia já está em curso “Na sombra da morte”, na qual Armindo Pina descreve as suas mais incompreensíveis razões de existir, entre pobreza e riqueza, e a frágil linha de autodestruição.

 

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