Murça voltou a escrever o seu nome entre as grandes origens oleícolas do mundo. O Azeite Porca de Murça – monovarietal Cordovil – conquistou em Paris a Medalha de Ouro no prestigiado concurso internacional da Agence pour la Valorisation des Produits Agricoles (AVPA) “Les Huiles du Monde”, uma das distinções mais exigentes e respeitadas do setor.
Entre mais de 400 azeites de todo o mundo, apenas 17 receberam a mais alta condecoração do júri – e nenhum outro azeite português produzido por uma cooperativa alcançou este nível em 2026. O Porca de Murça foi também o único azeite transmontano a subir ao pódio máximo.
A entrega dos prémios decorreu no Gourmet Selection 2026, realizado a 7 e 8 de junho no Paris Expo Porte de Versailles, onde a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça se destacou como a cooperativa portuguesa mais premiada do certame. As distinções foram entregues por Philippe Juglar, Presidente da AVPA, perante produtores, especialistas e representantes de dezenas de países.
A presença portuguesa em palco teve um simbolismo especial: em nome da Cooperativa, o murcense Luís Enes, radicado na região parisiense há muitos anos, recebeu as distinções, “representando não apenas a marca, mas todo um território que há décadas afirma a sua identidade oleícola além-fronteiras” diz o Presidente da Cooperativa, Francisco Vilela.
O prémio agora conquistado junta-se a um percurso impressionante: 92 prémios internacionais até junho de 2026, atribuídos por júris de Los Angeles ao Japão, de Madrid à Tunísia, dos Emirados Árabes Unidos a Paris. “Uma consistência rara, que confirma aquilo que os murcenses sempre souberam – em Murça produz-se azeite ao nível dos melhores do mundo”.
Mas, como sublinha a própria Cooperativa, estas distinções representam muito mais do que a qualidade de um produto. São o reconhecimento de um território singular, de olivicultores que preservam saberes transmitidos desde 1956, de equipas “que trabalham com rigor e de uma tradição que molda a identidade de Murça”. Cada medalha é, por isso, uma afirmação de origem.
O desafio que se segue é transformar este reconhecimento internacional numa valorização duradoura do azeite, dos produtores e da própria região. Porque quando Paris distingue Murça, não está apenas a premiar um azeite: está a reconhecer uma origem, uma história e uma comunidade inteira. E essa origem chama-se Murça.







