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Cultura

 

A Gallimard lançou esta semana um novo guia turístico dedicado ao arquipélago de Cabo Verde. “GEOguide coups de Coeur – Cap-Vert” convida o leitor francófono a descobrir as ilhas de Cabo Verde, desde as longas praias de marfim da Boa Vista até aos exuberantes vales de Santo Antão e as altitudes lunares do Fogo.

Situado a mais de 600 km a oeste das costas senegalesas, este arquipélago vulcânico de clima tropical seco, bastante árido, surpreende pela diversidade paisagística e riqueza cultural. Pouco conhecido em França, situação que este guia pretende mudar, Cabo Verde é um país de língua oficial Portuguesa, mas cuja maioria da população fala, no quotidiano, o crioulo cabo-verdiano.

As dez ilhas que compõem o arquipélago, desabitadas, tal com os Açores e a Madeira, até ao século XV, foram descobertas e colonizadas pelos Portugueses que criaram assim a primeira colónia europeia nos trópicas. Ribeira Grande, situada na ilha de Santiago, foi a primeira vila a ser fundada e colonizada, empregando-se para tal pessoas escravizadas trazidas da costa da Guiné.

Ao longo dos séculos, o arquipélago ganhou grande relevância no comércio triangular do Atlântico que unia Europa, África e Américas e por lá passaram milhões de africanos vítimas do tráfico negreiro. A demografia cabo-verdiana dos nossos dias deixa bem patente ainda hoje as consequências do processo de colonização português.

Independente desde 1975, Cabo-Verde vê no turismo um dos alicerces do seu desenvolvimento económico futuro, responsável, em 2021, por 25% do PIB insular. Percentagem que o Governo da Praia pretende aumentar para 34% até 2026, para um total de 1,26 milhões de turistas, vendo neste setor uma das principais armas de combate à pobreza. Na era pré-Covid, em 2018, o arquipélago acolheu mais de 800 mil turistas, a maioria oriunda do Reino Unido (24%), Alemanha (11,3%), França (10,4%), Países Baixos e Portugal (ambos com 9,8%).

O Governo prevê então uma aposta na requalificação urbana, mas também nas infraestruturas, nomeadamente aeroportuárias, preparando assim o país para o acolhimento desse maná turístico tão desejado.

Centrado nas ilhas do Sal, Boa Vista e Santiago, o turismo cabo-verdiano tem um grande potencial de crescimento e este novo guia em língua francesa poderá ser um bom instrumento para o aumento do número de gauleses a descobrir a morabeza insular: visitar as praias, as cidades, conhecer a gastronomia ou as atrações geológicas e vulcânicas do arquipélago.

Este novo livro é um utensilio vital para encontrar o melhor restaurante onde desfrutar, por exemplo, de uma boa cachupa, o bar para beber um copo de vinho local ao som de uma morna, a música tradicional cabo-verdiana popularizada em França por Cesário Évora.

 

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