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Na terça-feira, dia 26 de março, das 18h30 às 20h00, na delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian, a artista Catarina Simão proferirá uma conferência intitulada: “A luta de libertação do ponto de vista das imagens. As imagens do ponto de vista da luta de libertação: notas sobre os filmes Djambo (2016) e Effects of Wording (2014)”.

“Acreditar que as imagens de arquivo guardam a verdade sobre o passado é um princípio que coexiste com o paradoxo mais poderoso, dado que uma simples mudança de contexto pode facilmente trair esta promessa inicial”, explica a organização. Apoiando-se na experiência de realização dos seus dois filmes sobre a história da luta de libertação de Moçambique, Catarina Simão falará a partir do lugar da sua produção, onde o arquivo aparece como uma figura problemática.

O filme Djambo, realizado em 2016 foi co-realizado por Catarina Simão e Chico Carneiro e foi produzido pela CPLP e ARGUS (Moçambique). O filme acompanha Carlos Djambo, antigo fotógrafo-guerrilheiro, que revista os locais onde documentou a luta de libertação e o processo de reconstrução de Moçambique após a Independência. As suas fotografias e os seus encontros com as pessoas que partilharam a sua experiência de luta, são o fio condutor de uma viagem que revela o país em contraste com aquele que foi idealizado. Na estrada, por força de encontros inesperados, é o drama na vida de Djambo que acaba por ser revelado – de tão fatalmente enredado que está no curso histórico do país. O documentário tem a duração de 52 minutos e para além do português vários outros idiomas estão presentes como o cinyungwe, shimakonde, xichangana e swahili.

O filme Effects of wording [Efeito e redação] – The Mozambique Archive Series, realizado em 2014 trata das lutas de independência de Moçambique contra o colonialismo português, na década de 1960. Neste filme a artista investiga a memória dos documentos históricos, fotografias e desenhos e propõe uma análise sobre a importância da educação nesse processo.

O Institute of Mozambique, escola da FRELIMO – Frente de libertação de Moçambique – alfabetizou um grande número de jovens nesse período, tendo com referência as metodologias de ensino do pedagogo brasileiro Paulo Freire (1921-1997).

Catarina Simão nasceu em 1972 em Lisboa, é uma artista investigadora que vive e trabalha entre Maputo e Lisboa. A sua prática baseia-se em projetos de investigação de longo prazo que implicam parcerias colaborativas e diferentes formas de apresentação ao público.

Catarina Simão é conhecida pelos seus monitores, usando documentação, escrita, vídeo e desenho. Ela participa em programas de rádio e palestras públicas, oficinas participativas, curadoria de filmes e publicações.

Desde 2009 que Catarina Simão trabalha com a noção de Arquivo, implicando-se especialmente nas questões da história colonial e anticolonial de Moçambique. Simão aborda criticamente a contrapartida da custódia do registo, os seus significados mutáveis e a sua capacidade de incorporar um conhecimento diferido. Trabalha principalmente com filmes e vídeos na instalação, mas também usa outros elementos figurativos, como fotografia, livros didáticos, desenho e som.

O trabalho de Catarina Simão foi exposto no Museu de Serralves, Manifesta 8, Africa.cont, Museu Reina Sofia, Ashkal Alwan, New Museum, The Kyiv School, Eva Internacional, Transit Gallery, Garage Museum e IASPIS, entre outros. Em Moçambique, Catarina Simão desenvolveu uma intervenção artística dentro de um contexto social, colaborando com associações e instituições locais. Ela é co-curadora do projeto de digitalização de filmes Arsenal’s Living Archive e é membro da Oficina de História de Moçambique.

Esta conferência está inserida no ciclo de estudos interdisciplinares sobre a Africa lusófona, organizada por Maria-Bendita Basto, Olinda Kleiman, Agnès Levécot, Irène dos Santos e Egídia Souto (Université Paris Sorbonne/CRIMIC – Centre de recherche sur les mondes ibériques et ibéro-américains contemporains; université Sorbonne Nouvelle/CREPAL -Centre de Recherches sur les pays lusophones; Centre National de la Recherche Scientifique/Unité de recherche migrations et société – CNRS/URMIS) en parceria com Oficina da História (Maputo, Mozambique).

 

Sala de Conferências

Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação em França

39 boulevard de la Tour Maubourg

75007 Paris

 

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