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Feira de Nanterre voltou a mostrar os melhores dos produtos portugueses

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O Espace Chevreul acolheu no fim de semana passado, a 16ª edição de Feira de Nanterre organizada pela associação ARCOP, em colaboração com a autarquia local. A inauguração teve lugar na sexta-feira, dia 12 de abril, presidida pelo Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira.

Durante três dias, 21 municípios portugueses trouxeram produtos locais para serem comercializados em Nanterre.

Tudo começou há 18 anos, quando Manuel Brito assumiu a Presidência da Associação Recreativa e Cultural dos Originários de Portugal (ARCOP) de Nanterre. “A associação já tinha uma equipa de futebol e um grupo de folclore, mas queríamos ir mais longe para mostrar aquilo que nós tínhamos em Portugal” explica Manuel Brito ao LusoJornal. A Feira começou com três Câmaras Municipais: a de Monção, a de Torre de Moncorvo e a de Serpa, “com muitas dificuldades porque era o primeiro evento desse género em França”.

Hoje, o problema inverteu-se: há muitos municípios que querem vir participar na Feira de Nanterre, mas já não há espaço para mais. Uma dezena de municípios portugueses queriam estar presentes, mas foi-lhes recusada a presença na Feira.

Amarante, Arcos de Valdevez, Bragança, Cabeceiras de Basto, Macedo de Cavaleiros, Melgaço, Monção, Mondim de Basto, Montalegre, Montemor-o-novo, Miranda do Douro, Mirandela, Paredes de Coura, Pombal, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Seia, Tarouca, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vila Verde foram as Câmaras Municipais presentes.

Uma grande parte dos Presidentes de Câmara estiveram presentes e quando não estavam, estava um Vereador. “Muitos emigrantes conheceram os Presidentes da Câmara aqui nesta feira” diz Manuel Brito. “O emigrante quando lá vai, já vai encontrar mais facilmente o Presidente, vão almoçar e resolvem por vezes os problemas”.

“Participando, os autarcas também sentem a importância dos emigrantes, que têm bens e afazeres em Portugal” diz por seu lado Manuel Moreira, Vice-Presidente da ARCOP. “Não parece, mas há muita abertura de negócios aqui durante esta feira. Alguns Presidentes de Câmara vêm expressamente para esse efeito”.

“É a segunda vez que venho a Nanterre e estou encantado com a nossa diáspora. Vim aqui encontrar pessoas que tinha perdido de vista, que não sabia onde estavam e vim encontrá-los aqui” diz ao LusoJornal Augusto Marinho, Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca. “Este contacto é extremamente importante para quem está cá, saber que os seus autarcas se interessam e que estão a trabalhar para lhes lançar o desafio de regressarem. Esta é uma das minhas missões. Venho cá dar uma palavra de conforto, de apoio, mostrar solidariedade, mas mais do que isso, trazer os produtos e os empresários de Ponte da Barca”. Augusto Marinho reforça que vem a Nanterre para “lançar um desafio à diáspora, dizer-lhe que nós estamos a fazer o nosso trabalho de casa, para lhes dizer que nós estamos a criar as condições para, caso seja essa a vontade das pessoas, possam regressar a Portugal e investir na sua terra. Nós temos pessoas muito bem estabelecidas e muito bem integradas nas Comunidades”.

Também o Presidente da Câmara municipal de Monção concorda. “Venho cá por respeito para com os emigrantes, aqueles que ajudaram o nosso país, apesar de eu ser de uma geração já depois da emigração em massa para França, nos anos 60, tenho muito respeito por aqueles que continuam a lutar para terem condições de vida melhores e ajudam muito o país. O mínimo que podemos fazer enquanto autarcas, é vir aqui estar com eles, conviver com eles. E o que de melhor levamos daqui é ver o sorriso nos olhos dos emigrantes da nossa terra” disse António Fernandes Barbosa ao LusoJornal.

Na sexta-feira à noite houve um concerto de Fado, difundido em direto pela rádio Alfa, no sábado à noite houve um arraial com o grupo musical Roconorte de Monção, “que vem a esta festa desde o primeiro ano” argumenta Manuel Brito. E durante os três dias houve cantares ao desafio, rusgas, Zés Pereiras, atuaram os grupos folclóricos Margens do Lima de Choisy-le-Roi e da ARCOP de Nanterre, assim como a Banda Filarmónica Portuguesa de Paris.

“Pouco a pouco esta feira tornou-se num grande momento de confraternização da Comunidade portuguesa que mora em Nanterre e que é numerosa no oeste parisiense” diz ao LusoJornal Patrick Jarry, o Maire de Nanterre. “O ‘viver juntos’ numa cidade, não se faz sem que a cultura de cada um se possa exprimir. ‘Viver juntos’ não é fazer com que todos sejam iguais, pelo contrário, é fazer com que esta gente que vem dos quatros cantos do mundo e que vive na nossa cidade, sinta prazer em se encontrar”.

O Maire de Nanterre está presente todos os anos neste evento e no ano passado assinou um Protocolo de geminação com Setúbal, “uma grande cidade dos arredores de Lisboa e nós somos uma grande cidade dos arredores de Paris” explica.

Também o Embaixador de Portugal enalteceu a implicação do Maire de Nanterre nesta feira e agradeceu publicamente o principal organizador, Manuel Brito. “Estou muito impressionado com o que isto significa de contributo do nosso amigo Manuel Brito, para mostrar ao público o que nós temos de tão bom, em particular estas iguarias todas que eu tenho quase de pôr uma mão à frente dos olhos para passar em frente” disse Jorge Torres Pereira. “Temos uma boa relação entre Portugal e a França, o dinamismo económico posso dizer que nunca foi tão bom, há uma tradução evidente que é o aumento da Comunidade francesa em Portugal e o aumento de número de turistas franceses em Portugal e eu penso que esta feira também tem uma dimensão de ajudar a tornar conhecidas as regiões e os territórios de Portugal, seguramente bem merecedores de visitas, de viagens turísticas e também de investimento”.

“Esta feira salvou alguns comerciantes portugueses que estão aqui hoje. Um deles disse-nos ontem, de viva voz, que graças à Feira de Nanterre tem a empresa de enchidos e de queijos a funcionar” explicou Manuel Moreira ao LusoJornal. “Veio cá num momento em que a empresa estava a passar dificuldades e foi aqui que o negócio voltou a reativar”.

Até porque, mesmo se as pessoas que visitam anualmente a feira são maioritariamente portugueses, também há cada vez mais Franceses e pessoas de outras origens. “Por exemplo, os Magrebinos vêm para os azeites e para o mel. Provavelmente até são eles que compram mais esse tipo de produtos portugueses, que têm muita qualidade” afirma Manuel Moreira.

A feira também se tornou um momento de passagem obrigatória para políticos. Lá estiveram os dois Deputados eleitos pelo círculo eleitoral da Europa, Carlos Gonçalves e Paulo Pisco, mas também dois dos Cabeças de lista às eleições para o Parlamento Europeu, Pedro Marques do Partido Socialista e Nuno Melo do CDS-PP.

Quanto ao futuro… tudo deve continuar como agora. “Aumentar, só partindo os muros” diz o Maire de Nanterre. Mas Manuel de Brito corta a possibilidade de qualquer aumento. “Temos muitos municípios à espera, mas eu já tenho dito que com respeito à nossa capacidade associativa, estamos no limite. Aqui somos todos voluntários, ninguém ganha nada com isto e não conseguimos ir mais além. Queremos é manter esta Feira neste nível”.

Manuel Brito e Manuel Moreira já prometeram que no próximo ano, a Feira de Nanterre voltará a trazer à região parisiense “os melhores produtos de Portugal”.

 

 

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