Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

Gérald Bloncourt foi homenageado no Museu da Imigração em Paris

LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira Comité ASM / Bernard Lhoumeau Comité ASM / Bernard Lhoumeau Comité ASM / Bernard Lhoumeau Comité ASM / Bernard Lhoumeau Comité ASM / Bernard Lhoumeau Comité ASM / Bernard Lhoumeau Comité ASM / Bernard Lhoumeau

O Museu nacional da história da imigração – Palais de la Porte Dorée – acolheu no sábado passado uma sessão de homenagem a Gérald Bloncourt, falecido no ano passado. O evento foi organizado por um grupo de amigos do fotógrafo, nomeadamente Manuel Dias, do Comité Aristides de Sousa Mendes, e teve o alto patrocínio do Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira.

Nascido no Haiti em 1926, filho de uma mãe francesa e de um pai vindo da Guadeloupe, Gérald Bloncourt foi ativista político e esteve implicado na queda do Governo Lescot, mas foi expulso do país antes de vir para Paris. Desde pequeno que a mãe lhe falava dos grandes navegadores portugueses, mal sabia que mais tarde viria a ser condecorado pelo Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, precisamente em Champigny.

Em Paris trabalhou para vários jornais, fotografando conflitos sociais e o mundo do trabalho. Foi assim que conheceu os Portugueses e as suas condições de vida no Bidonville de Champigny.

“Gérald Bloncourt foi um fotógrafo extraordinário, que compreendeu desde os anos 50, o drama da emigração. Primeiro a emigração africana, depois a emigração argelina e depois a emigração portuguesa. Foi um dos primeiros que denunciou a problemática dos bairros de lata na região de Paris” explica ao LusoJornal Manuel Dias. “Ele descobriu o bairro de lata de Champigny a através de uma grande reportagem que fez sobre a situação dos bairros de lata em França”.

Esta sessão de homenagem foi organizada em cumplicidade com a mulher do fotógrafo, Isabelle Bloncourt. “Ele dizia que fotografava para combater a injustiça e foi assim que encontrou os Portugueses. Fotografou o Bidonville e foi a Portugal ver de onde vinham as pessoas. Mas na altura ele fazia-o para cobrir a atualidade, enquanto jornalista. E 20 ou 30 anos depois, os Portugueses dizem-lhe obrigado e agradecem-lhe por ter reconstituído a sua própria história, por lhes ter dado memória. Aliás ele dizia que era um ‘passador de memória’”.

Isabelle Bloncourt estava visivelmente contente por saber que os Portugueses continuam a prestar homenagem ao marido.

Na sala estava o Cônsul Geral de Portugal em Paris, António de Albuquerque Moniz, o Adido Social do Consulado Joaquim do Rosário, o historiador Daniel Bastos, que publicou dois livros sobre Gérald Bloncourt. Artur Coimbra, o Diretor do Museu da Emigração de Fafe, a quem Gérald Bloncourt cedeu dezenas de fotografias, a socióloga Maria Beatriz Rocha Trindade, a historiadora Marie-Christine Volovitch-Tavares, mas também Valdemar Francisco e Joaquim Barros da associação Les Amis du Plateau, e Parcidio Peixoto, da associação Memória das Migrações.

Houve “momentos de respiração” com guitarradas portuguesas, numa proposta da associação Gaivota; foram projetadas fotografias do homenageado e foram projetados dois filmes, um de Carina Branco e Nina da Silva, realizado para a CLP TV e um outro de Isabelle Bloncourt com fotografias do pós-25 de Abril em Portugal e do 1° de Maio de 1975, já que Gérald Bloncourt foi “cobrir” a Revolução para a imprensa francesa.

“Portugal fica a dever muito a Gérald Bloncourt porque cada vez mais as imagens têm importância” refere Maria Beatriz Rocha Trindade, que veio de Lisboa propositadamente para este evento. “Os textos e os discursos sem imagem ficam incompletos e se não fosse ele a fixar uma parte tão importante de uma história recente, contemporânea, a memória vai-se, e naturalmente não teríamos presente tudo o que aconteceu” disse ao LusoJornal.

Por seu lado Parcídio Peixoto falou do “grand-frère” que encontrou e com quem partilhou 10 anos “que nem vi passar”.

No final foram lidas mensagens enviadas pelos dois Deputados eleitos pelo círculo eleitoral da Europa, Paulo Pisco e Carlos Gonçalves, e houve testemunhos espontâneos de pessoas presentes, que quiseram falar de Bloncourt, nomeadamente aqueles que o procuraram porque se reconheceram nas fotografias ou para quem as fotografias são um importante testemunho histórico da vida das famílias.

Uma segunda homenagem está prevista para Lisboa, sempre com a cumplicidade de Isabelle Bloncourt.

 

Linda de Suza 19/20
Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 12 Votos
6.7
X