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Dois emigrantes portugueses nas Antilhas francesas, foram distinguidos ontem pelo Governo português com uma Medalha de mérito, auxiliaram cerca de 130 pessoas a sair da região, devastada pela passagem do furacão Irma, em setembro.

José Fernandes Rodrigues e Paulo Carvalho, dois portugueses residentes na ilha de Guadalupe, receberam a Medalha de mérito das Comunidades Portuguesas, grau ouro, entregue pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, numa cerimónia no Palácio das Necessidades, sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

José Fernandes Rodrigues, que vive em Guadalupe há 24 anos, disse à Lusa que, quando passou o furacão, entre os dias 8 e 10 de setembro, começou a ajudar as pessoas que iam chegando, a partir de outras ilhas, ao aeroporto de Guadalupe, o único que tinha condições para voos internacionais. «Logo no primeiro dia recebi um grupo de 15 pessoas. Depois, todos os dias ajudávamos 15, 20, 30 pessoas. Ao todo, gerimos umas 120, 130 pessoas, em menos de uma semana», relatou.

José Fernandes Rodrigues e Paulo Carvalho ajudaram portugueses, mas também franceses, a procurar voos para regressarem a Portugal e a França, acolheram muitos nas suas próprias casas ou em casas de familiares e deram-lhes de comer. «Eu fui bombeiro voluntário em Portugal e tenho este espírito de ajudar as pessoas», comentou José Rodrigues.

Paulo Carvalho considera que não fez «nada de mais», foi «simplesmente dar a mão, ajudar os outros».

«Só ganhámos, recebo convites, tenho amigos por todo o lado», afirmou. Durante uma semana e meia, esteve no aeroporto de Guadalupe «das 07h00 às 02h00, a ajudar as pessoas».

Uma preocupação que tiveram foi «enviar logo os homens que apareciam sozinhos» e deixar para trás «as mulheres e crianças», para irem no avião militar C-130, enviado pelo Governo português, contou à Lusa.

Dois dos portugueses que José Fernandes Rodrigues acolheu na sua casa, naquele período, foram os pais da pequena Matilde Vitória. Na reta final da gravidez quando o furacão Irma passou nas Antilhas, Rosa Nascimento e o marido, que vivem na ilha de Saint Barthélemy (St. Barths), decidiram regressar a Portugal.

A tempestade destruiu a maternidade de Saint Martin e, entre escolher a ilha de Guadalupe ou Portugal, o casal optou por regressar à terra natal, onde teriam mais apoio familiar.

Na altura, o casal não acompanhou os cerca de 70 portugueses que foram repatriados num avião militar C-130, fazendo a viagem em voos comerciais.

A bebé, a primeira filha do casal, nasceu a 24 de setembro, mais de um mês antes da data prevista, e os pais decidiram acrescentar um segundo nome àquele que já tinham escolhido: «É a Matilde Vitória, porque isto foi mesmo uma vitória».

A sua casa em St. Barths teve «muitos estragos», mas «está de pé», e o casal espera regressar à ilha já em meados de novembro. «Vamos passar o natal ao calor», comentou a mãe.

Na cerimónia, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, elogiou o «extraordinário sentimento de solidariedade e de altruísmo para com os seus compatriotas e para com o nosso país» dos dois homenageados, cujas ações «tanto dignificam a presença de Portugal no mundo».

José Luís Carneiro destacou ainda o trabalho do Gabinete de emergência consular, que já respondeu este ano, disse, a 74 situações.

 

 

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