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O lusodescendente Guy Alves é hoje uma das figuras centrais em mais um processo contra Nicolas Sarkozy, por ser, na altura, o Diretor Geral da empresa Bygmalion que montou a campanha eleitoral para a reeleição do então Presidente da República francesa, em 2012.

O processo hipermediatizado vai julgar Nicolas Sarkozy por alegado “financiamento ilegal da campanha eleitoral”.

Nicolas Sarkozy teria ultrapassado largamente o orçamento da sua segunda campanha eleitoral. Na verdade, o candidato já era Presidente da República, anunciou demasiado tarde a sua recandidatura e todas as sondagens lhe eram desfavoráveis, por isso, em apenas dois meses o candidato à sua própria sucessão fez 44 comícios, numa média de 4 por semana, alguns dos quais gigantes como o de Villepinte e o de La Concorde.

Para organizar a maior parte destes eventos, a equipa de Nicolas Sarkozy recorreu à empresa de eventos Bygmalion e à sua filial Event & Cie. Guy Alves era, na altura, o Diretor Geral da empresa e estava na linha da frente da campanha do Presidente francês.

A campanha derrapou financeiramente e em vez dos 22,5 milhões de euros autorizados, teria atingido quase 43 milhões de euros!

Contrariamente ao que se passa nos Estados Unidos, em França, as despesas com as campanhas eleitorais são regulamentadas e os candidatos não podem gastar o que querem. Esta é uma forma de não favorecer os candidatos com fortunas pessoais. Em 2012, os candidatos estavam limitados a 16,8 milhões de euros e a 22,5 milhões de euros se fossem à segunda volta.

Para contornar este “problema”, a Bygmalion desceu os preços da prestação ao candidato e faturou a diferença ao partido UMP, alegando a organização de eventos fictícios.

Por isso o processo é complicado e implica 14 arguidos, que devem responder por ter sido largamente ultrapassado o orçamento de campanha, por falsas faturas, por cumplicidade e dissimulação de justificativos, por abuso de confiança…

O assunto tornou-se público em 2014 quando a imprensa começou a noticiar que “uma pequena empresa” tinha arruinado a UMP e denunciava o então Secretário Geral da UMP, Jean-François Copé, amigo pessoal do Presidente e do Secretário Geral da Bygmalion.

Face à imprensa, o advogado da Bygmalion explicou que não se tratou de falsas faturas, mas sim do complemento das faturas dos comícios da campanha de Nicolas Sarkozy.

As faturas foram entretanto destruídas, mas Guy Alves entregou à justiça uma ‘pen’ com a prova da fraude. Num quadro Excell estavam as diferentes prestações da empresa, com o custo real, o custo faturado ao candidato e o complemento faturado ao partido.

Nicolas Sarkozy defende-se, alegando que era Presidente da República e não se preocupava em gerir as contas da campanha – afirma que há 46 cartões com faturas da campanha e não as verificou pessoalmente – chutando para a equipa de campanha todas as responsabilidades da montagem financeira. Apesar disso, assinou o relatório de contas finais, mas alega também que o relatório tem mais de 300 páginas e que nenhum candidato lê estes relatórios quando os assina.

A defesa da empresa Bygmalion é que, se não fizesse este esquema financeiro poderia não ser paga e estava em risco a sobrevivência da própria empresa.

Por isso, a partir de hoje estão na barra do Tribunal – salvo se o processo não for adiado porque um dos advogados testou positivo à Covid-19 – o antigo Presidente da República, a equipa de campanha, nomeadamente os mandatários financeiros Philippe Briand e Philippe Blanchetier, os principais quadros da UMP na altura, e Jérôme Lavrilleux que era, na altura, ao mesmo tempo Chefe do Gabinete de François Copé e Diretor adjunto da campanha de Nicolas Sarkozy. Participam também os responsáveis da Bygmalion e em particular o lusodescendente Guy Alves, figura central neste processo.

 

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