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Com apenas 29 anos de idade, Julien Garcia foi eleito Maire da localidade de Etréchy, no Essonne, uma cidade com menos de 7.000 habitantes a 40 km a sul de Paris. Mas sonha ir mais longe na carreira política, em França, apesar de manter relações muito próximas com Portugal.

Etréchy é uma localidade pequena, “entre cidade e campo, onde se vive bem” resume o novo Maire da cidade. Foi aqui que sempre viveu Julien Garcia, ausentando-se apenas quando estudou no estrangeiro.

Com 20 anos apenas, começou a interessar-se pela política através de um partido político local e em 2014, com 23 anos, foi eleito pela primeira vez nas listas daquele que foi Maire até ao passado mês de junho. “Comecei a interessar-me pela vida da minha cidade, por curiosidade, à procura de uma cidade mais dinâmica, mais autêntica na conservação do património” disse numa entrevista ao LusoJornal.

Foi Maire-Adjoint com os pelouros da segurança e da cidadania, mas acabou por se demitir. “Tivemos várias discussões sobre assuntos em que não estávamos de acordo”, e em 2018 criou a associação “Unis pour Etréchy” que o levou a ser eleito Maire da cidade.

A eleição não foi fácil. Houve 4 listas concorrentes à eleição e teve como adversários uma lista do Rassemblement National, uma lista da Esquerda Ecologista e uma lista que era dada como favorita porque o candidato tinha o apoio do anterior Maire. “Ele fez uma campanha muito agressiva e pensava que já tinha ganho a eleição antes mesmo dela ter tido lugar”.

Julien Garcia conduziu uma lista sem etiqueta política. “Eu sou de centro-direita, mas tenho na minha equipa pessoas que têm uma sensibilidade diferente da minha e isso é muito importante” diz ao LusoJornal.

Mas Julien Garcia que a diferença fez-se porque “eu nasci aqui, sempre vivi aqui, só saí uns tempos para ir estudar no estrangeiro, mas eu sou um produto aqui desta terra, eu conheço bem a cidade. O outro candidato está aqui há pouco tempo, há menos de 15 anos”. Outro fator que o atual Maire evoca para a sua eleição é a “humildade”.

 

Cultivar a dupla identidade cultural

Os pais de Julien Garcia são de Sobral do Campo, Castelo Branco, mas têm casa em Alcains. “A minha mãe chegou a França com apenas 2 anos e o meu pai veio com 20 anos. Sempre fui a Portugal, todos os anos, como muitos lusodescendentes. Toda a minha família por parte do meu pai está em Portugal” confessou ao LusoJornal. Mantém pois uma relação com Portugal através da família, mas também através das associações e dos políticos com quem tem estado em contacto.

“Tento falar português e quero fazer com as minhas filhas aquilo que os meus pais fizeram comigo, levá-las a Portugal de maneira regular. Isso é uma riqueza para os lusodescendentes. Não é apenas a riqueza da língua, mas também é a da dupla cultura” diz Julien Garcia. “É difícil saber se somos totalmente franceses ou totalmente portugueses, às vezes é complicado para mim, mas nós temos de fazer um esforço para sermos cada vez mais franceses e cada vez mais portugueses”.

 

Partilha com outros luso-eleitos

Julien Garcia começou por ser membro da associação Activa e agora é membro da associação Cívica. Ambas são associações de autarcas franceses de origem portuguesa. “Eu conheço bem os dois Presidentes destas duas estruturas. Comecei com a Activa. O Presidente é o Hermano Sanches Ruivo, o que é Maire-Adjoint em Paris, foi reeleito com Anne Hidalgo e faço votos para que tenha muitos sucessos. Comecei na Activa com ele porque não conhecia quase nada destas instituições. Para além do mais, nós temos casa em Alcains e o Hermano é também originário da Alcains”.

Mas entretanto está ativo na Cívica, embora considere que “para mim, as duas associações têm os mesmos objetivos”.

Mas Julien Garcia considera sobretudo que é importante encontrar outros autarcas de origem portuguesa e saber o que fazem. Diz que tem trocado informações com Cédric de Oliveira, Maire de Fondettes e Presidente da associação dos Maires da Indre et Loire. “Nós falámos e ele propôs-me ajuda. Estar em contacto com outros autarcas lusodescendentes é bom para a representação de Portugal junto das instituições francesas”.

 

O início de uma carreira política

A eleição de Julien Garcia para Maire de Etréchy foi apenas o início de uma carreira política que está longe de ter terminado. “É claro que com 29 anos, ser Maire de uma cidade e dizer que não tenho ambições para ir mais longe, seria mentir” confessa ao LusoJornal. “Eu tenho, claro, ambições para outras eleições, mas ainda é cedo demais para falar nisso, mesmo se as eleições Regionais e Departamentais são dentro de menos de um ano. Mas ainda só fui eleito agora, ainda estou a aprender muito, ainda estou a dar os primeiros passos nesta função”.

Quanto a evocar uma possível carreira de Deputado, Julien Garcia diz que “eu não sei se vou ter uma carreira política longa ou curta, só o futuro é que o vai dizer, mas o que é certo é que eu nasci aqui em França, foram as instituições francesas que me deram a minha educação – conjuntamente com os meus pais, claro – foram as instituições francesas que fizeram de mim o que eu sou hoje, e por isso, se um dia eu pensar na Assembleia da República, será na Assembleia da República francesa, mais do que na Assembleia da República portuguesa”.

Julien Garcia considera que Portugal “ganha em muitos aspetos” por ter uma rede enorme de autarcas franceses de origem portuguesa. “Juntamente com outros Maires e Maires-Adjoints, podemos promover a língua portuguesa aqui em França, por exemplo, podemos também estabelecer relações entre a França e Portugal, nomeadamente intercâmbios de jovens e de idosos” e acrescenta que “não é só Portugal que pode ganhar, os dois países podem ganhar, sobretudo se os lusodescendentes falarem em uma voz para promover Portugal através das instituições francesas”.

Etréchy ainda não tem uma geminação com Portugal, quem sabe se neste mandato, ou no próximo – “porque eu não faço as contas apenas a 6 anos, mas a 12” – não entrem Portugueses para o Comité de geminação para estabelecer relações formais com uma localidade portuguesa.

Mas logo para começar, o novo Maire de Etréchy, declarou que as crianças são uma prioridade para a cidade e decidiu reintegrar duas ATSEM cujo contrato não tinha sido renovado pelo Maire anterior.

 

 

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