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Faleceu ontem, depois de dois meses de hospitalização por causa da Covid-19, o primeiro Chef “estrelado” português em França, dono do restaurante “Les Gorges de Pannafort”, em em Callas (83), no sul da França, a 30 km de Saint Tropez.

Philippe da Silva nasceu no Algarve e desde os seus 14 anos que cozinhava. Veio para França com os pais, quando tinha apenas 5 anos de idade e estudou numa escola hoteleira em Toulon. Mas passava as férias de verão com a avó, que acabou por lhe transmitir a vocação.

“A minha avó ensinou-me muita coisa” confessa o Chef quando foi entrevistado pelo LusoJornal, argumentando que “fazia ela própria o pão, matava o porco, fazia as chouriças, linguiça, presunto… Quando eu era pequeno, interessava-me sempre por essas coisas que faziam lá em casa, as sopas, as carnes e o pão, a marmelada, o mel… eu era muito guloso” confessou.

Tinha pois as bases para ser um bom cozinheiro. Trabalhou em restaurantes reputados em França, tendo começado pelo Le Nôtre, em Paris e passou 20 anos no Le Chiberta, 15 dos quais como Chef, onde conquistou duas estrelas Michelin e por onde passaram as personalidades mais conhecidas dos franceses.

Depois… convenceu a mulher, que trabalhava num Centro de investigação contra o cancro, a se instalarem no sul da França.

Quando surgiu a oportunidade de recuperarem “Les Gorges de Pannafort”, não hesitaram. O quadro é magnífico, bem mais calmo do que as ruas de Paris e Callas é uma região de bom azeite, o que acabou por influenciar a escolha do casal. Quase de seguida, recebeu a primeira prestigiosa estrela no Guia Michelin.

Quando era pequeno, Philippe da Silva morou em Cogolin, já conhecia a região, onde agora acabou por falecer.

“Era um homem generoso, sempre sorridente” lembra o empresário de Sainte Maxime e Cônsul honorário de Portugal em Nice Joaquim Pires que morou também em Cogolin quando era pequeno e que se esforçou por dar a conhecer Philippe da Silva. José Luís Carneiro, quando foi Secretário de Estado das Comunidades Portugueses, foi lá jantar pelas mãos de Joaquim Pires e ficou “estupefacto”.

“Nós perdemos um amigo, mas a França e o mundo perderam um grande senhor da gastronomia francesa” diz Joaquim Pires. “Ele fez parte das primeiras gerações dos grandes Chefs franceses com estrelas no Guia Michelin. Se hoje há Chefs estrelados no mundo inteiro, no início não eram muitos”.

“É importante ter uma ou duas estrelas, mas o mais importante é fazer uma boa cozinha e ter uma boa clientela” dizia o Chef ao LusoJornal. E os clientes vinham do mundo inteiro, muitas vezes de helicópetro a partir de Nice, Cannes ou Mónaco.

“Les Gorges de Pannafort” emprega cerca de 40 pessoas, na cozinha, na sala, no jardim e nos quartos que entretanto abriu. Philippe da Silva diz que o “segredo” do sucesso da casa está no “amor”, na paixão com que trabalhava. Levantava-se todos os dias às 5h00 da manhã para ir à procura de produtos de excelência na região e mesmo se não tinha pratos portugueses na ementa, garantiu que “as influências da cozinha portuguesa estão bem presentes na minha forma de cozinhar”. Todos os anos ia de férias a Portugal, não apenas para visitar a família algarvia, mas também para mostrar o país à mulher.

Philippe da Silva sentia-se português “de coração”. E agora, que precisamente o coração lhe parou, “a estrela subiu aos céus” como dizem os amigos que o conheciam.

 

Ver a entrevista que a equipa do LusoJornal filmou para a RTP AQUI.

 

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