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Não pode haver melhor notícia para os Portugueses, para os Europeus e para o mundo do que ter-se já iniciado o processo de vacinação, a poucos dias de terminar este ano, que começou muito mal com a propagação do vírus e acaba muito bem com a descoberta da vacina em tempo recorde.

Vamos, por isso, entrar em 2021 cheios de esperança de começar a regressar à normalidade que já há tanto tempo todos ansiamos.

Apesar de 2020 ser um ano para esquecer, paradoxalmente será também aquele que mais vai perdurar na memória coletiva. Diferentes gerações terão muito para contar e para refletir. E os historiadores também. 2020 foi um ano de isolamento, medo, incerteza, de dor, de perda. De perda de vidas, de empregos, de projetos, de sonhos. Foi um ano de sofrimento para todos os que tiveram de ser internados e para os que perderam familiares e amigos. Foi um ano de angústia para todos aqueles que estiveram na linha da frente, médicos, enfermeiros e auxiliares, que deram o seu melhor, quantas vezes até à exaustão, para evitar que se perdessem vidas.

Foi um ano em que o mundo esteve quase parado durante 12 meses, por um vírus traiçoeiro ter entrado como um tsunami pelas nossas vidas dentro, deixando tudo de pantanas. Foi um ano em que todos tivemos de mudar de hábitos. 12 meses depois dos primeiros casos de infetados terem sido noticiados na China, morreram até hoje em todo o mundo mais de 1,7 milhões de pessoas e mais de 81 milhões foram infetadas.

Em Portugal o vírus infetou quase 397 mil Portugueses e matou mais de 6.600. Nas Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo nunca se saberá quantos compatriotas e lusodescendentes perderam a vida ou foram infetados.

Mas agora já temos a vacina, o que é um triunfo da ciência e uma chapada nos negacionistas. A vacina desenvolvida por dois alemães de origem turca, o que representa também um triunfo na importância da integração de imigrantes, neste caso os médicos, investigadores e empresários da empresa de que são cofundadores BioNTech Ugur Sahin e Ozlem Tureci.

A vacina que começou a ser inoculada em 27 de dezembro em todos os Estados-membros da União Europeia (com exceção da Alemanha, Hungria e Eslováquia). Neste caso não foi a riqueza, a dimensão ou a população o fator determinante. A Europa forte e unida, toda no mesmo barco, sem distinção, o que tem um imenso significado e simbolismo, começou a dar a vacina ao mesmo tempo. O projeto europeu segue forte e de boa saúde, depois de ainda há pouco tempo ter feito em 20 de julho mais uma demonstração da sua coesão, com o acordo histórico de destinar 750 mil milhões de euros para ajudar a combater a crise sanitária, económica e social provocada pela pandemia e em que, pela primeira vez, a União toma a decisão de atribuir uma boa parte daquelas verbas (390 mil milhões) a fundo perdido aos Estados-membros.

A União Europeia quer garantir 2 mil milhões de doses da vacina para combater o Covid-19. Vacinas que chegarão por fases aos Estados-membros sem custos para os cidadãos. A ameaça é grande, mas a solidariedade também. A União Europeia está de volta. E a esperança em múltiplas dimensões também e chega-nos em frasquinhos de 0,3 mililitros. A esperança de voltarmos à nossa vida normal e sem medo do vírus e dos outros, da recuperação da economia, dos afetos, da mobilidade e de tantas outras coisas que a pandemia nos roubou.

 

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