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Há 15 anos que milito para convencer que votar é escrever a História (1). Há 15 anos exigentes que milito para contradizer a dita fatalidade de falta de interesse cívico e de participação política do povo português no estrangeiro.

Se não se verificou compromisso no seio de partidos democráticos que nem sequer existiam antes do 25 de Abril, os Portugueses “emigrantes” criaram milhares de associações, organizaram redes de solidariedade como nenhum outro povo emigrante, ao som do folclore, onde quer que residissem. Até hoje, este jeito sociável perdura no acudir às vidas que sempre emigram e chegam às suas portas. Neste caminho muito em comum, sempre discutiram ideias ou seja sempre fizeram política!

Porém, desta vez, fizemos história, na medida em que os Portugueses votaram como nunca, no Círculo eleitoral da Europa, como aconteceu de forma mais expressiva também no Círculo eleitoral de Fora da Europa. Parabéns!

Fizemos história! As eleições legislativas de 6 de outubro apresentam resultados dignos de vários parabéns!

Já li não sei quantos comentários bastante deprimidos – influenciados certamente pelo céu de outono – acerca da fraqueza teimosa da taxa de participação de 10,79%. É fazer o favor de ler a dita estatística por inteiro e defender a participação, que foi multiplicada por cinco, o que não deixa dúvidas sobre o interesse acrescido pela democracia portuguesa entre 2015 e 2019.

Aliás, em breve, comentar-se-á o compromisso dos Portugueses pela democracia do país onde residem, também com o número crescente de candidatos lusos de grande qualidade e experiência, às eleições autárquicas, muitos sendo até cabeças de lista para presidir ao destino de muitas cidades de França, na primavera de 2020.

Há povo mais europeu do que o povo português a votar a cada eleição na agenda dos seus ambos países? Não há!

Antes de tudo, cabe saudar a visão acertada, como a coragem política do XXI Governo de Portugal, do Primeiro Ministro António Costa e do Secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, excelentes políticos em tempos cobardes, que acabaram definitivamente com preconceitos errados acerca dos Portugueses do estrangeiro. Nada de compaixão inútil, mas sim de paixão para connosco, no que diz respeito à igualdade de direitos! Com certeza, tanto as mulheres a dias, como os trolhas emigrantes dos anos 60, tinham e têm juízo político, como os seus descendentes respeitaram à letra a ordem histórica do universalismo dos seus ilustres antepassados, não temendo lugar algum na Europa e no Mundo para conseguir uma vida digna e feliz. Tornaram-se cidadãos portugueses de valor, com filhos sinceramente dedicados à obra de um Portugal Global ainda por afirmar. Este Portugal Global só acontecerá se for connosco.

O socialista António Costa fez história – e que bela história – reconhecendo que a vitória também contou connosco. Somos Portugueses iguais aos demais, diz o Artigo 14 da Constituição, mas acrescenta o pormenor que residimos no estrangeiro. Prova dada com o recenseamento eleitoral automático para hoje sermos 1.466.754 residentes fora do nosso território nacional (895.590 na Europa e 571.164 no resto do Mundo), ou seja, 14,44% da população com capacidade eleitoral.

Não haja dúvida que os números não vão ficar travados… o universo eleitoral português tornar-se-á mais significativo no porvir!

Sim, há boletins de voto que não chegaram às casas dos eleitores que os esperavam com ansiedade. Sim, há dúvidas acerca da pertinência do subscrito a dobrar e da ausência do envelope para expedir o boletim. Sim, muitos eleitores esqueceram-se da cópia do seu Cartão de cidadão tornando o voto nulo (35.331 votos anulados após muitos berros intrigantes do PSD). Sim, isso exige melhorar “as ferramentas” de voto para impedir qualquer consequência duvidosa nos resultados gerais nas próximas eleições. Porém, não há argumento sério para desistir deste progresso democrático incontestável, seja este presencial, por correspondência defendido e conseguido por socialistas atentos à nossa condição!

Em França, os números também falam claramente, para convencer que podemos pesar sobre decisões e políticas públicas que nos afetam muito diretamente. No país “bleu, blanc, rouge”, o Partido Socialista venceu as eleições Legislativas com mais de 13.000 votos, ficando o PSD em longínquo segundo lugar, com cerca de 7.550 votos. A taxa de abstenção continua bastante alta, acima dos 89%, com 42.545 votantes num universo de 402.738 eleitores inscritos. No entanto França é, de longe, o país com maior número de inscritos e com maior número de votantes! Uma nota triste ainda para os quase 12.000 votos nulos – quase um terço dos votantes – para interrogar sem tabu o voto por correspondência: talvez a fórmula não seja a única e melhor adaptada à eleição?

Neste momento, em Portugal, o XXII Governo tomou posse para “Fazer Mais e Melhor”. Já temos Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, uma nova Secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, como também os sempre 4 Deputados eleitos pela Comunidade residente no estrangeiro, durante os próximos 4 anos. Desejamos-lhes a todos um bom trabalho e que a palavra continue viva porque as obras falam quando respeitar as nossas reivindicações para transformá-las em ação política concreta.

Antes de terminar relembrando alguns desafios de maior importância para seguirmos cumprindo a palavra dada, quero dar os meus maiores parabéns a quem fez campanha com tanto entusiasmo e com tanta alma durante esta campanha tão particular. Sim, esta campanha despertou muito ânimo nas Secções militantes, de uma Secção para outra, de uma casa para outra, de um cidadão para outro, de uma página Facebook para outra, de uma geração para outra, notando que a primeira esteve muito alerta em reencaminhar mensagens políticas!

Militante, candidata e defensora da nossa Comunidade, no porvir quero poder felicitar então o reforço da rede diplomática e consular com a restruturação do modelo de gestão consular investindo na administração 2.0, a consolidação das plataformas de vínculos entre Portugal e as Comunidades, a renovação da Rede de Ensino do Português no estrangeiro, o uso alargado das novas tecnologias digitais, a possibilidade do português como língua curricular do ensino básico e secundário, o apoio a projetos em todas as áreas inovadoras com países de todos os continentes, o reforço das condições de participação cívica e política dos Portugueses no estrangeiro – porque não o voto eletrónico também? Porque não mais Deputados para os milhões de seres políticos que somos? – a promoção de redes de partilha de informação, a promoção de eventos transnacionais para divulgar a imagem de Portugal no século XXI e envolver emigrantes como lusodescendentes, em todo o mundo, dando relevo aos devidos e merecidos talentos genuínos lusos na comunicação social portuguesa.

Gente, fizemos história! Às urnas cada vez que somos chamados para tal, porque votar é escrever a história, a História de Portugal, cujo último capítulo da democracia acabámos de escrever bem, onde quer que estejamos a viver neste mundo.

(1) Expressão de Alex Le Gall.

 

Linda de Suza 19/20
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