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No início da fila, em dia de ponta na maior tabaqueira de Albi, um senhor de cabelos brancos, tentava comprar umas raspadinhas. No fim da fila, disse cá par mim – este senhor tem um sotaque português – deve ser algum turista que vem visitar a Cidade Episcopal de Albi.

Não o ajudei, o senhor lá se fez compreender e saiu com um sorriso de esperança, pensando que lhe ia sair a sorte grande.

Quando comprei o meu fumo, que tanto participa para financiar a Segurança Social francesa, ajuda os refugiados, os sem abrigo, a terem um direito mínimo à saúde, fui deparar com o senhor de cabelos brancos encostado a uma furgonete e em alta conversa com os amigos.

Acertei, eram Portugueses… Errei, não eram turistas.

Lancei um “boa tarde” e os homens, surpreendidos, tiveram um momento de hesitação antes de responder. História de matar saudades, convidei-os a ir beber um café e troquei umas palavras com José António, Aldino Rocha, António Pereira e José Oliveira.

 

Vieram visitar Albi?

Estamos aqui desde o mês de março para trabalhar.

 

Então não vieram como turistas?

A motivação de nossa estadia foi o dinheiro, porque ganhamos muito mais e somos respeitados como operários da construção civil.

 

De que região de Portugal vêm?

Três do norte e um do centro.

 

Acham que não há condições para trabalhar em Portugal?

Só há ótimas condições para os corruptos e os governantes de Lisboa. Para a classe média e para os pobres do norte, a única hipótese de ter condições de uma vida melhor é ir trabalhar para fora, é só fome e passam mal.

 

As vossas palavras surpreendem-me, convencido que estava, que as condições de vida em Portugal tinham melhorado!

O Governo diz que o desemprego baixou, mas há agências de trabalho, sobretudo de trabalho temporário, que estão a beneficiar da exploração dos trabalhadores. O desemprego não baixou, as estatísticas publicadas não condizem com a realidade, as pessoas que vivem com o rendimento mínimo ou que trabalham como clandestinos, não tem perspetivas para o futuro e para beneficiar de uma reforma decente.

 

Vieram à procura em França de uma reforma melhor?

Estamos praticamente todos na idade de nos reformarmos, o atual Governo português dá incentivos aos reformados estrangeiros para virem passar bons anos em Portugal, e nós Portugueses, se quisemos dar um futuro mais sorridente aos nossos filhos e acabar decentemente a nossa vida, a última alternativa é ir trabalhar para o estrangeiro. Quando vamos em entrevistas para trabalhar em Portugal, é só cunhas, senão ninguém entra. É inadmissível uma pessoa preencher um currículo e estar dois ou três anos à espera de poder trabalhar. Não podemos viver à espera de caridade e que nos chamem para trabalhar.

 

Então Portugal está mal?

Na nossa experiência, pensamos que neste momento Portugal está mal. Há muito pessoal a emigrar, como nos anos mais negros da emigração, embora haja causas idênticas, outras nem por isso. Quando vemos os jovens, pessoas formadas, pessoas como nós que têm que procurar emprego no estrangeiro, algo não bate certo no destino que está na moda.

 

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