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A minha avó dizia muitas vezes que “devagar se vai longe”.

Mesmo se, por vezes, há quem queira ir depressa de mais… mas neste caso, o ditado que se adapta melhor é que “quem tudo quer, tudo perde”.

 

E porque razão digo isto hoje?

É por causa das últimas eleições municipais francesas.

A associação Cívica e o LusoJornal, publicaram na semana passada a primeira versão da lista dos autarcas franceses de origem portuguesa.

São mais de 7.200 – o número é impressionante!

A lista está ainda incompleta. Verificar um a um todos os autarcas com nomes portugueses é um trabalho muito demorado. Ora, como a maioria está verificada, decidimos, no LusoJornal, publicar a lista no seu estado atual e pedir a contribuição dos nossos leitores para a atualizar.

E fizemos bem, porque logo nos primeiros dois dias tivemos a informação de que um dos nomes da nossa lista não era português, mas sim espanhol (e foi logo retirado, claro), mas tivemos de acrescentar também mais 5 autarcas lusodescendentes que, tendo nomes franceses, nos tinham passado despercebidos.

Tudo indica que vamos mesmo ficar acima dos 7.200 autarcas de origem portuguesa em França.

 

Nas eleições de 2001 foram eleitos cerca de 350 Portugueses ou Lusodescendentes.

Essa foi a primeira eleição em que os mononacionais portugueses (e de outras nacionalidades da União Europeia, claro) puderam votar e serem eleitos (mesmo se já havia autarcas Portugueses em França, porque tinham a nacionalidade francesa). São pois eleições de referência.

Depois de 2001 o número foi subindo e no último mandato tínhamos cerca de 4.000 autarcas em França com origem portuguesa.

Agora, esse número foi quase duplicado.

 

Conheço alguns – posso até dizer muitos – desses luso-eleitos.

Penso que aqueles que ganharam as eleições de 2001 não estavam bem preparados – na maior parte dos casos – para assumirem as funções. Mas os que agora foram eleitos, parecem-me ser, em geral, gente bem preparada. Não estão ali para serem apenas os “Portugueses de serviço”, mas para trabalharem num projeto coletivo de gestão municipal.

Agora fico com uma pergunta: Como é que Portugal vai sair desta situação?

Para os primeiros, a Embaixada de Portugal ainda organizou reuniões de luso-eleitos, até ainda tentou criar uma rede de contactos com esses autarcas, mas depois ficou tudo em águas de bacalhau.

Por isso aqui fica a pergunta: o que é que Portugal vai ganhar com esta rede impressionantemente grande de lusodescendentes eleitos nas municipais francesas?

Ou vai ficar a dormir à sombra da bananeira, à espera que eles façam algo?

Só mais uma nota: anda por aí gente a lamentar-se por não termos ainda nenhum Ministro em França com origem portuguesa – enganam-se porque até já tivemos um Primeiro Ministro, mas essa é outra história – como se isto fosse um concurso de nacionalidades.

É certamente gente com muita pressa. Mas eu continuo a acreditar que “devagar se vai longe”.

Mas esta é apenas a minha opinião!

 

Esta crónica do jornalista Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal, é difundida todas as semanas, à quinta-feira, na rádio Alfa, com difusão antes das 7h00, 9h00, 11h00, 15h00, 17h00 e 19h00.

 

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