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Rogério Janelas mora em França, mas tem uma empresa de informática na Suíça. Tal como muitos fronteiriços, atravessa todos os dias a fronteira entre a França e a Suíça. Mas “do lado de cá”, no Parque Natural Nacional do Haute-Jura, foi-se tornando num autêntico embaixador do cavalo de raça Lusitana.

A paixão de Rogério Janelas pelos cavalos é “natural”. “Nasci com os cavalos” costuma dizer.

Rogério Manuel Lampreia da Silva Janelas nasceu no Alentejo, na pequena aldeia de Montes Velhos. “A minha mãe era professora nessa terra e o meu pai era negociante de cavalos. Nasci lá, por isso os cavalos estão-me no sangue” contou ao LusoJornal.

Para Rogério Janelas, os cavalos mantiveram-no sempre “equilibrado” em relação ao trabalho. “O trabalho era muito stressante, a informática era muito stress, tínhamos de produzir, de vender, de fazer números,… muitas pessoas ficavam doentes psicologicamente, mas eu, depois do trabalho, vinha para os cavalos” conta ao LusoJornal. Utilizou os cavalos como uma terapia. “É o meu antidepressor”.

Rogério Janelas saiu de Portugal em 1982. “Na altura eu era funcionário público em Setúbal e decidi que a vida estava a ser triste como funcionário e estava mais virado para coisas mais ativas e comerciais” conta.

Decidiu então sair de Portugal, à boleia. Passou pela Espanha, França… “e encalhei na Suíça”.

“Comecei a trabalhar na restauração como toda a gente e depois cheguei a Diretor de um centro de formação em informática, com 27 salas de curso – um dos maiores da Suíça – e a partir daí fiquei ligado à informática” conta ao LusoJornal. Trabalhou em grandes empresas de informática, até que em 2001 fundou a sociedade Best Im.

Dos quatro filhos de Rogério Janela – três filhos e uma filha – foi a filha, Virginie, quem “herdou” a paixão do pai. É atriz de teatro e de cinema, gosta de montar e participa em espetáculos com cavalos.

Rogério Janela tem 4 cavalos. Todos Lusitanos. “Para mim, o puro sangue lusitano é o melhor cavalo do mundo e é o ideal para aquilo que eu faço. Eu não gosto de competição, gosto de me divertir, ensino-lhes a fazer passos…”. Os cavalos fazem-no lembrar os bailes da terra. “Nós íamos montar a cavalo pelas ruas, para as moças nos vissem, e eu gosto deste espírito de folclore, mais do que de competição”.

Todos os fins de semana Rogério Janela participa em passeios em grupo pelos campos. “Neste picadeiro, os meus são os únicos cavalos Lusitanos que aqui estão. Por isso, quando há uma festa, convidam-me para eu e a minha filha fazermos a animação, fazer coisas diferentes do que o que eles fazem, eles têm mais cavalos de desporto e fazem pouca fantasia” conta ao LusoJornal. “O Lusitano é um cavalo orgulhoso, vaidoso, os outros cavalos, quando passa por eles, andam com a cabeça em baixo, parecem tristes, o Lusitano tem sempre aquela graça, é muito respeituoso das ordens que lhe damos. Para mim é o melhor cavalo do mundo”.

Mas Rogério Janelas não se limita apenas a participar em desfiles, faz muita promoção do Cavalo lusitano. “Eu guardo sempre na cabeça que há uma promoção a fazer, gosto muito de mostrar o cavalo Lusitano, penso que já estive na origem de muitas compras e muitas viagens a Portugal por causa dos cavalos. Mandei muita gente para a Feira da Golegã, mando para amigos que conheço lá e que têm cavalos para vender. Quanto mais cavalos lusitanos houver aqui à volta, melhor é”.

Nos primeiros tempos, Rogério Janelas vendeu alguns cavalos. “Os cavalos custam caro – a alimentação, a estadia, tudo é caro – e para pagar o meu vício, de vez em quando tinha de vender um cavalo. Mas já me deixei disso, eu fico muito agarrado aos cavalos”.

Cada vez Rogério Janelas passa mais tempo em Portugal. “Quando estou lá, faltam-me os filhos, quando estou cá falta-me Portugal. Ainda não estou bem definido do que vou fazer, mas gostava que fosse metade do ano lá e a outra metade cá”. Para isso, quer ter cavalos lá e cavalos cá.

 

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