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A peça “Do Bosque para o Mundo”, produzida pela companhia de teatro Formiga Atómica, que fala na jornada de uma criança refugiada até à Europa, regressou a Paris com apresentações até dia 23 de março no Théâtre de la Ville.

O espétaculo “Do Bosque para o Mundo” (ou “Au-delà de la fôret, le monde”, na versão francesa), da dupla Miguel Fragata e Inês Barahona, fundadores da companhia portuguesa de teatro Formiga Atómica, regressou à capital francesa, agora para uma residência artística com espetáculos até dia 23 de março, no espaço Pierre Cardin, pertencente ao Théâtre de la Ville, junto aos Champs-Elysées.

A peça, que se dirige a um público a partir dos 10 anos e fala da jornada de um menino refugiado através da Europa, já tinha sido mostrada neste mesmo teatro no âmbito do festival anual Chantiers de l’Europe, mas apenas para duas sessões, tendo ficado posteriormente acordado entre o teatro francês e a companhia portuguesa um regresso a Paris.

“Houve imediatamente o desafio por parte do Théâtre de la Ville para algum tempo depois podermos apresentar novamente a peça. Fazia todo o sentido voltar a apresentá-la, o tema continua atual e continua a fazer um eco muito grande na sociedade francesa”, disse Miguel Fragata, encenador da obra e também fundador da companhia Formiga Atómica.

A peça é apresentada em francês – a tradução foi financiada pelo Théâtre de la Ville – e é representada por atrizes francesas. A adaptação necessitou de encarar as diferentes vivências da crise dos refugiados entre Portugal e França, com o público francês, incluindo as crianças, a terem um maior conhecimento da crise dos refugiados e maior contacto com comunidades vindas de países de origem desses refugiados, estando o texto em permanente mudança.

“Quando estreámos o espetáculo, ainda existia a chamada ‘selva de Calais’ e essa foi uma das alterações que tivemos de fazer. Todas as outras têm a ver com coisas que vamos descobrindo e o espetáculo está absolutamente vivo. Vive numa relação muito próxima do público”, afirmou ainda o encenador português.

As sessões são normalmente acompanhadas por um debate com o público, especialmente com as crianças que vêm assistir à peça e, segundo Miguel Fragata, isso permite “fazer uma ponte direta, desconstruir algumas questões e também apaziguar essas mesmas questões”, assim como debater em conjunto o tema da crise dos refugiados.

No dia 16 de março, a apresentação será seguida de uma discussão com Johanna Hawkenm, especialista na prática filosófica para as crianças.

Após a primeira apresentação em Paris, em 2017, “Do Bosque para o Mundo” abriu o Festival de Avignon em 2018 e está agora a preparar uma digressão francófona entre 2020 e 2021, continuando também a ser apresentada em Portugal.

 

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