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Os poetas portugueses de França, sejam eles eruditos ou populares, como é o caso de Joaquim Alexandrino, exprimem em geral os sentimentos e as mensagens próprias de uma Comunidade que vive entre duas margens, entre duas memórias. Inicialmente difundidas através das rádios livres ou clandestinas, estas vozes poéticas foram mais tarde publicadas em efémeras edições associativas, graças ao trabalho árduo de alguns franco-atiradores. Joaquim Alenxandrino percorreu estas etapas antes de publicar o presente volume intitulado “Alexandrino, duas pátrias e um destino” (Chiado Editora, 2015).

Joaquim Alexandrino nasceu a 7 de julho de 1932, no lugar de Salgueirinha – Coruche. Aos nove anos deixou a escola, começando a trabalhar para ajudar a família: espantou pardais, guardou gado e dedicou-se aos trabalhos agrícolas. Completou em 1954 a instrução primária, obtendo o diploma da 4ª Classe. Em 1965 emigrou para França onde dedicou a sua força de trabalho à construção civil.

Começou muito novo a fazer versos, apenas para se divertir com os amigos. Voltou a versejar com o aparecimento das rádios livres, onde lia os poemas que ia fazendo. Também participou em vários concursos de poesia organizados por associações portuguesas da região parisiense e tem poemas publicados na Antologia poética do Círculo dos Poetas Lusófonos de Paris (2004).

Regra geral, trata-se de uma poesia testemunho em que as preferências do autor concentram-se naquilo que tem para dizer, ora com versos mais líricos ou mais íntimos, como nestes versos do poema intitulado “Uma parisiense no Ribatejo”, em que Joaquim Alexandrino conta como convidou uma amiga parisiense para visitar a sua terra natal: “Anda ver comigo o corajoso campino / O homem que o borda d’água inspira / Anda vê-lo de pampilho ao ombro / No seu cavalo montado / É ele o senhor rei desse condado / É ele o professor das feras negras da lezíria”.

Assim, podemos dizer que além do interesse poético, a soma destes poemas / testemunhos ou destas histórias pessoais contribui sem dúvida para a construção de uma memória coletiva.

 

 

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