Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

O interesse e a paixão dos escritores, e dos intelectuais brasileiros em geral, pela literatura francesa, não necessitam mais ser demonstrados. Entre os autores franceses mais admirados e estudados no Brasil, Arthur Rimbaud ocupa um lugar importante, como podemos constatar através deste apurado e cativante romance de Lúcia Bettencourt, “O regresso – a última viagem de Rimbaud” (ed. Rocco, 2015).

Aproveitando a presença da autora no Printemps Littéraire Brésilien 2019, em Paris, redigimos esta nota de leitura sobre seu livro.

Em “O regresso – a última viagem de Rimbaud”, entre ficção e realidade, Lúcia Bettencourt elabora dois relatos: o do retorno do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891) à França, em seus últimos meses de vida, sofrendo de um câncer na perna, depois de um longo período passado em África: «Desde cedo fui especialista em partir. Queria ir, queria me soltar das amarras e partir, experimentar tudo, todas as felicidades, toda a glória e o êxtase. E me dispus a pagar o preço. Fui até a beirada do abismo. (…) Minha perna. Toda minha atenção se concentrava nela e ela, crescida e dura, inflexível, era minha dona e meu carrasco mais cruel, impiedosa. Latejando, noite e dia, ela marcava cada segundo de escuridão e agonia”.

A partir de uma pesquisa minuciosa e uma narrativa envolvente, a autora alterna este relato com o do leitor que, muitos anos depois, nos faz revisitar a poesia e a biografia do poeta, como neste excerto: “Dizem que sua mãe repetiu, até perder a voz, que ele não era como os outros fedelhos que infestavam as ruas de sua aldeia com sua miséria e sua sujeira. Que ele era o encantador de palavras, que podia fazer delas o sortilégio que os tirasse, todos, daquela miséria, daquela solidão”.

Lúcia Bettencourt nasceu no Rio de Janeiro, onde estudou Literatura comparada. Ensinou e promoveu oficinas de contos no Brasil e no exterior. “A secretária de Borges” (2005), seu primeiro livro de contos, ganhou o Prémio SESC, um dos mais concorridos no Brasil. Em francês, tem dois contos publicados na coletânea “Je suis Rio” (ed. Anacaona).

 

 

Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 3 Votos
5.4
X