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Associação AEP 61-74 honrou memória dos exilados portugueses na fronteira de Vilar Formoso

A Associação AEP 61-74 – Associação de Exilados Políticos Portugueses – organizou em Vilar Formoso, nos dias 10 e 11 de agosto, as suas Jornadas socioculturais “para relembrar e honrar todas as pessoas que foram obrigadas a sair de Portugal, muitas delas por aquela fronteira”.

O evento contou com o apoio da Câmara Municipal de Almeida, da Junta de Freguesia de Vilar Formoso e do Ayuntamiento de Fuentes de Oñoro.

Logo na manhã do primeiro dia, os dirigentes da AEP 61-74, nomeadamente o Presidente Fernando Cardoso, foram recebidos nos estúdios da Rádio Fronteira. Este foi o momento de arranque das jornadas que integraram também uma sessão pública muito concorrida e participada onde intervieram a historiadora Irene Pimentel, a Eurodeputada Ana Gomes e o historiador José Pacheco Pereira, entre muitos outros participantes de França, nomeadamente Ilda Nunes, a Presidente da Associação Memória Viva, a historiadora Marie-Christine Volovitch-Tavares, Manuel Tavares, Manuel Dias, António Oneto,… Também esteve presente o Coronel Mário Tomé, um dos Militares de Abril.

Durante este evento Manuel Freire e Tino Flores cantaram e disseram palavras poéticas, a foi projetado o documentário “O Trilho do Poço Velho”, realizado em Vilar Formoso por Luís Godinho. São testemunhos de quem atravessou a fronteira a salto. “O interesse destes testemunhos é que são histórias de milhares de pessoas que fizeram a mesma coisa. Relembra a História dos Portugueses que tiveram de sair” diz Ilda Nunes em declarações ao LusoJornal. “O interesse destas jornadas é de manter viva a memória e que sejam transmitidas aos jovens, recusando o que aconteceu em Portugal durante 48 anos, para que não volte a acontecer”.

Também a associação organizadora explica que são “encontros da memória para que não se esqueça mas, sobretudo, para que não volte a acontecer ditadura, opressão, tortura, censura, guerra. Publicamos memórias do exílio para que os exílios não se repitam; publicamos memórias dolorosas do Salto para que ninguém mais tenha que saltar; recordamos a tristeza de partir sem regresso à vista para podermos ficar onde queremos, quando queremos, com quem queremos; recordamos a aventura para que sejamos nós a escolher as nossas próprias aventuras, os nossos caminhos, as línguas que queremos aprender, os amigos que queremos ter; recordámos este Salto como o derradeiro Salto”.

O dia fechou com uma visita “fora de horas” ao Museu de Vilar Formoso.

No domingo 11, os participantes percorreram um dos trilhos da região até Fuentes de Oñoro e, na fronteira velha, descerraram uma placa alusiva ao Salto e aos seus motivos. “Por esta fronteira, nos anos da ditadura e da guerra colonial passaram a salto, na procura da liberdade e de uma vida melhor, muitos milhares de portugueses” diz a placa inaugurada que, para além do logotipo da associação organizadora das Jornadas, tem também os brasões de Vilar Formoso e de Fuentes de Oñoro.

A AEP 61-74 conta com uma centena de associados e já publicou dois livros com testemunhos das histórias de pessoas que foram obrigadas a sair do país, para fugir da prisão, da guerra colonial ou simplesmente por recusarem o serviço militar obrigatório. Os livros foram apresentados em Paris. “Também havia muitas mulheres a atravessar a fronteira a salto” lembra Ilda Nunes ao LusoJornal. “Acompanhavam os maridos ou os namorados, mas também havia mulheres que tinham uma ação política. Muitas vezes esquece-se que houve mulheres que tiveram um papel primordial na luta contra o fascismo”.

 

 

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