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Quem eram os discípulos? Pessoas crédulas e ingénuas? Idealistas ou sonhadoras? Pessoas fragilizadas pelo sofrimento que se deixaram enredar numa alucinação coletiva? O Evangelho do próximo domingo apresenta uma outra versão e dá bastante relevo às dificuldades que todos tiveram em aceitar a ressurreição de Cristo: «Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito (…) Eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar». Os apóstolos não são ingénuos e não se contentam com notícias em segunda mão. Precisam de “ver para crer” (como Tomé no domingo passado) e mesmo quando vêm, não deixam de ser um grupo desconfiado, crítico e exigente.

A ressurreição permanece um dado de fé e nem mesmo as aparições de Cristo ressuscitado conseguem garantir certezas cientificamente comprovadas. O encontro com Jesus vivo só é possível através um longo caminho espiritual e as dúvidas e hesitações que experimentamos na nossa vida não são elementos incómodos e inúteis, mas sim, partes essenciais do percurso que leva a uma fé madura. Mesmo uma “crise de fé” não é (forçosamente) uma coisa má! “Crise” é uma palavra de origem grega que significa “separar” ou “escolher”. Uma crise obriga-nos a tomar decisões! E ajuda-nos a reformular, repensar e, eventualmente, purificar a nossa fé!

Tal como dois namorados não conseguem encontrar a prova matemática de serem feitos um para o outro, também a ressurreição nunca será uma certeza científica. Porém, alguns esposos, depois de um longo caminho juntos, conseguem dizer, sem medo e sem dúvidas: «Confiámos, acreditámos e hoje sabemos». Com a Fé acontece o mesmo.

 

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