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As limitações impostas pelas autoridades francesas aos cultos religiosos, devido à pandemia de Covid-19, levam a Igreja a adaptar-se e as celebrações vão ser hoje transmitidas em direto do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris através das redes sociais.

“O santuário vai celebrar evidentemente esta noite a primeira aparição de Nossa Senhora, mas num formato simplificado e reduzido. Vamos transmitir o terço a partir das 21h00 através do Facebook e através da Rádio Alfa, que aceitou fazer este serviço público”, indicou Nuno Aurélio, Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris, em declarações à Lusa.

O padre lembrou que as restrições em França são “diferentes das que existem em Portugal” e que, além dos atos de culto estarem suspensos, “não se podem reunir mais que 10 pessoas seja para o que for”.

A procissão das velas é um dos pontos altos do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris e uma oportunidade de encontro para a Comunidade portuguesa da cidade. O facto de este ano ficar reduzido a um encontro em linha, pode ser “perturbador”.

“Quando ouço as pessoas dizerem que têm saudades e estão aflitíssimas por não poderem abraçar a sua mãe ou o seu pai e agora também impedidos de viver esse momento que é um misto de muita coisa, como são as aparições de Fátima, é evidente que tudo isto é perturbador”, relatou o Reitor.

Mais a Sul, a peregrinação de Nossa Senhora de Fátima em Mont Roland, na região de Jura (leste do país), que todos os anos reúne entre 10 mil a 15 mil pessoas, foi cancelada logo após o anúncio do confinamento. “Este ano foi assim e logo se vê para o ano. A capelinha está aberta para quem quiser colocar uma vela, mas a peregrinação ou outra coisa a substituir a peregrinação, que seria já este fim de semana, não pode ser. Não depende só de nós”, afirmou Arménia Pereira, uma das organizadoras do evento.

Esta seria a 53ª peregrinação consecutiva organizada naquele local, que não envolve só celebrações religiosas, mas também uma festa que dura o fim de semana e onde há várias expressões da cultura portuguesa. No entanto, a escolha da organização foi compreendida por todos.

“Claro que as pessoas estão desiludidas. Nós, a organização, especialmente. Mas toda a gente compreendeu, falámos com o Consulado de Portugal em Lyon, falámos com o Deputado Carlos Gonçalves que vem todos os anos e não tomámos a decisão sozinhos. Toda a gente nos disse que foi a melhor decisão”, referiu Arménia Pereira.

O Governo francês avançou no início de maio a possibilidade da reabertura dos locais de culto para celebrações coletivas a partir de 29 de maio, mas mesmo isso depende da evolução da pandemia de Covid-19 no país. “O que tem sido falado é que o Governo avançou a possibilidade que se possa retomar a celebração pública por ocasião da festa do Pentecostes [29 de maio]. Agora, não é nada certo. Depende da evolução da contaminação após o desconfinamento”, concluiu o padre Nuno Aurélio.

 

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