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“Os tradutores”, do realizador francês Régis Roinsard, é um dos poucos filmes que estrearam esta quinta-feira na rede de exibição comercial em Portugal, e também em escassas salas, uma vez que a maioria está ainda encerrada, na sequência das medidas restritivas para conter a Covid-19.

No filme entra a atriz portuguesa Maria Leite e a lusodescendente Suzana Joaquim Maudslay.

O filme deveria ter tido estreia a 12 de março, mas acabou por avançar mais de dois meses, por causa do encerramento dos cinemas.

Maria Leite, 31 anos, é uma das protagonistas deste policial de elenco internacional, em que a narrativa se centra em nove tradutores, fechados numa casa luxuosa e contratados para traduzirem o último livro de uma famosa trilogia.

Do elenco fazem parte Lambert Wilson, Olga Kurylenko, Alex Lawther, Riccardo Scamarcio, Patrick Bauchau e Maria Leite, no papel de uma tradutora portuguesa.

Esta não é a primeira experiência da atriz num filme de produção estrangeira, porque em 2014 trabalhou com o realizador húngaro Gábor Reisz, mas é a de maior visibilidade internacional.

 

Maria Leite diz que foi uma experiência interessante

À Lusa, recordou que fez uma audição para o filme em 2018, quando tentava fazer um mestrado ao mesmo tempo “que era empregada de limpeza num Airbnb” e estava sem trabalho na representação. “Fiquei muito grata por ter sido escolhida, a produção foi um processo artístico, tive tempo para prepara e desenvolver a personagem, rapei o cabelo, furei as orelhas, fiz ginásio”, explicou.

Maria Leite considera que o filme tem uma carga política forte e recupera uma das primeiras falas da personagem dela: “Desde quando é que ter um só trabalho serve para sobreviver?”.

A atriz portuguesa, que atualmente integra o elenco fixo do Teatro Nacional São João, no Porto, e se sente, por isso, “privilegiada” por estar a ser remunerada num tempo em que o setor cultural ficou paralisado, recorda que a rodagem de “Os tradutores” foi interessante pela “troca de ideias” com os outros atores, de várias nacionalidades. “Percebemos que Portugal é dos piores países para se ser ator, pela falta de políticas culturais, pela falta de aplicação de um código laboral, pela intermitência. Eles [os outros atores] nem conseguiam perceber bem a questão dos ‘recibos verdes’”, disse.

 

Suzana Joaquim Maudslay, advogada e atriz

Suzana Joaquim Maudslay é advogada mas dedica os tempos livres ao teatro. Aliás, criou o grupo de teatro “Os Sugos” na associação portuguesa de Fontenay-sous-Bois.

“Tive a sorte de ser escolhida para desempenhar um pequeno papel de hospedeira da TAP e de dar a réplica a Maria Leite que foi formidável, cheia de talento e de gentileza” conta a atriz lusodescendente ao LusoJornal.

Durante a rodagem do filme “verdadeiras” as hospedeiras da TAP “vieram ter comigo para me dizer que estavam orgulhosas que eu as represente. Isso tocou-me muito”.

Depois de “Les Traducteurs”, Suzana Joaquim Maudslay participou em «Le Discours» realizado por Laurent Tirard com François Morel, Benjamin Lavernhe, Sara Giraudeau, Kyan Khojandi, onde representa o papel de… uma tradutora portuguesa. “É uma pequena participação, mas estou muito contente. O filme acaba de ser anunciado na Seleção Oficial do Festival de Cannes 2020”.

Suzana Joaquim Maudslay entrou também na média-metragem franco-portuguesa “A l’année prochaine” realizado por Philippe Machado.

«Les Traducteurs» saiu nas salas francesas no dia 29 de janeiro e esteve 6 semanas em cartaz. Está agora disponível em VOD (Orange, Canal Vod, myTF1Vod, Universciné).

Em Portugal, de acordo com a distribuidora, “Os Tradutores” estrear-se-á nos cinemas Castello Lopes em Guimarães e Santarém, aguardando-se a reabertura das salas desta exibidora na região de Lisboa e Vale do Tejo, ainda com medidas restritivas por causa da Covid-19.

 

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