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‘Lusotopia’: Crosne viveu ao ritmo da Lusofonia

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A pequena cidade de Crosne (91), com pouco mais de 9.000 habitantes, viveu no fim de semana passado ao ritmo da lusofonia, acolhendo a primeira edição do Festival “Lusotopia” com atrações musicais dos países lusófonos e conferências sobre a língua portuguesa e figuras como Aristides de Sousa Mendes.

“Muitos Portugueses que vivem em França não conhecem esta cultura da lusofonia e faltava a organização de um evento assim. Muitas coisas feitas na Comunidade são só festas e não têm a riqueza da cultura e a diversidade da lusofonia”, indicou Nathalie Afonso, artista lusodescendente do Atelier des Noctambules, e uma das três organizadoras deste Festival. As duas outras organizadoras são Marie-Hélène Euvrard, Presidente da Coordenação das Coletividades Portuguesas de França (CCPF) e Suzette Fernandes, Presidente da associação Hirond’Ailles.

Durante o fim de semana Crosne viveu com música, gastronomia e debates à volta da lusofonia no espaço René Fallet, mas também noutros espaços da cidade. Aliás cantaram-se as Janeiras nas ruas da localidade. Até a igreja matriz de Crosne, onde também está uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, acolheu um concerto de Fado.

Uma exposição de pintura e escultura inspirada pelos países de língua oficial portuguesa esteve patente ao público durante uma semana numa galeria local, foram apresentados dois filmes documentários, um sobre arquitetura portuguesa e outro sobre emigração de Cabo Verde, o Deputado Paulo Pisco proferiu uma conferência sobre lusofonia, a Coordenadora do ensino de português em França Adelaide Cristóvão falou precisamente do ensino da língua e o Presidente do Coletivo Aristides de Sousa Mendes, de Bordeaux, falou deste diplomata que salvou milhares de pessoas, essencialmente judeus, durante a segunda Guerra mundial.

“Este é um desafio para termos um outro olhar sobre o mundo português e lusófono. Penso que estamos demasiado fechados na Comunidade portuguesa e o meu sonho é abrir a um outro mundo. Trabalhar em parceria com outras associações, porque sozinhos não conseguimos nada e fazer com que se possa dar um espaço aos outros países que falam a lusofonia” disse ao LusoJornal Marie-Hélène Euvrard.

Um dos pontos altos do evento foi o jantar espetáculo onde os convidados de honra foram os Caretos de Podence. A Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, assistiu a este jantar, na sexta-feira, e os fundos recolhidos revertem a favor da associação Crianças de Hoje e de Amanhã (Cheda), que apoia crianças em Cabo Verde, e da associação Dimitri Francisco.

“Ter aqui a Secretária de Estado das Comunidades a dançar ao som da música da Guiné é genial, não acha?” questiona a Presidente da CCPF, visivelmente contente com esta mistura de culturas. “Sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe”.

Vários stands de associações lusófonas marcaram presença no evento. “O objetivo é dar a conhecer a realidade dos países lusófonos, o turismo, os costumes, a gastronomia, por isso organizámos ateliers de cozinha, temos stands associativos, dos diferentes países, mas também profissionais, bancos, advogados, comerciantes e sobretudo muitos espetáculos, de todos os países” confirmou por seu lado Suzette Fernandes.

“No fundo são dois objetivos: o primeiro é o de transmitir aos Franceses a riqueza da cultura lusófona, mas um outro objetivo é também reunir as associações lusófonas para que elas se encontrem. Porque de facto são associações que raramente trabalham em conjunto” argumenta a Presidente de Hirond’Ailles.

Esta ação agradou também ao Deputado Paulo Pisco que falou precisamente da importância das diásporas da Comunidade dos países de língua portuguesa (CPLP) e chamou a atenção para o facto da CPLP “não poder existir sem ter em conta as suas diásporas, porque elas são a alma da CPLP, estão espalhadas por todo o mundo e são um dos objetivos prioritários da ação política da CPLP” disse ao LusoJornal. Paulo Pisco refere que “é necessário o aprofundamento do conhecimento das diásporas, a coesão das diásporas, o apoio às diásporas nos países onde elas existirem, seja nos países de língua portuguesa, seja nos outros países onde existem diásporas expressivas como é o caso da França”.

As três organizadoras concordam com o sucesso da operação, mas pretendem reunir primeiro para decidir sobre a continuação do projeto. “No próximo ano gostava de enveredar por ações menos tradicionais e passar para áreas mais modernas como por exemplo o design e a moda dos países lusófonos” disse ao LusoJornal.

Suzette Fernandes considera que “o ideal seria ter cidades variadas em vez de concentrar tudo na mesma cidade”.

E Marie-Hélène Euvrard considera que “a fasquia estava demasiado alta”. Em conversa com o LusoJornal diz que “não é possível que não se continue. Criou-se uma dinâmica que nos motiva a continuar. Mas é imperativo ter outros meios. Tivemos noites muito curtas. Conseguimos, mas agora temos de melhorar”.

 

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