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Um pouco de história:

A origem de tal estranho prato é meio incerta, embora possamos situá-la algures durante os tempos da Inquisição. Foi por aí que o porco entrou na dieta do sul.

Sendo um animal protegido pelo judaísmo e pelo islamismo – culturas que eram (e em parte ainda são) muito vividas no além Tejo, a igreja começou a ver com olhar desconfiado quem não o incluía nas suas refeições.

O ritual da matança do porco iniciou-se aí, e é possível que a Carne de Porco à Alentejana também. Seria uma forma de mostrar aos mais céticos que gente de outras religiões se tinha convertido ao cristianismo. E a prova era essa: “já comiam porco e tudo.”

O nome pode ser muito enganador, de acordo com algumas opiniões. Há quem defenda que a origem desta tradição sulista de montar um prato com amêijoas e porco seja algarvia e não alentejana. E há quem defenda que pela mesma razão é esse prato alentejano e não algarvio.

Os que defendem a origem da Carne de Porco à Alentejana no Algarve, contam que por lá os porcos eram alimentados com espinhas ou farinha de peixe da indústria conserveira, e que o sabor da carne ficava alterado quando os suínos seguiam tal dieta.

A solução foi disfarçar o sabor “marinho” do porco colocando amêijoas, e dessa forma arranjar justificação para que o músculo pudesse dar semelhante paladar.

Os que aventuram uma origem alentejana partem da mesma premissa: os porcos algarvios, alimentados essencialmente a peixe ou derivados dele, sabiam mal. Tão mal que tiveram de juntar amêijoas para confundir clientes.

E aí surgiu a necessidade de vender a mesma coisa mas com carne suína de melhor qualidade. Apareceu a Carne de Porco Alentejano com Amêijoas, que seria a primeira versão alentejana do prato.

Consistia exatamente na mesma coisa, com a exceção do porco ser do Alentejo, e portanto mais saboroso, por ser alimentado com bolotas. O resto foi deturpação do nome, que de Carne de Porco Alentejano passou a Carne de Porco à Alentejana.

Poderá haver muito de lenda nestas conversas, embora me pareça bem provável a questão algarvia da alimentação do porco a espinhas. E assumindo tal contexto, é normal que a carne não soubesse bem devido a sua dieta alimentar a base de peixe.

 

Ingredientes:

– 800 g de carne de porco “Alentejano” sem osso

– 800 g de batatas

– 400 g de amêijoas

– 60 g de pickles

– 4 dentes de alho

– 300 ml de vinho branco

– 50 ml de azeite

– 3 colheres (sopa) de massa de pimentão

– Azeitonas pretas q.b.

– Coentros picados q. b.

– Sal e pimenta q.b.

– Óleo para fritar

 

Preparação:

Corte a carne em cubos e tempere-a com os dentes de alho picados, o vinho branco, a massa de pimentão, sal e pimenta. Deixe marinar, durante 20 minutos, e depois escorra.

Descasque as batatas, corte-as em cubos e leve-os a fritar em óleo quente. Retire e escorra, sobre papel absorvente.

Aqueça o azeite num tacho, junte a carne e deixe saltear. Adicione as amêijoas, regue com a marinada e deixe cozinhar, até a carne ficar douradinha, mas com molho. Se necessário, regue com um pouco de água.

Junte, depois, as batatas, os pickles e azeitonas pretas e envolva. Polvilhe com coentros picados e sirva de seguida.

 

Atenção: Se utilizar amêijoas frescas deixe-as num alguidar em água salgada de um dia para o outro para que elas libertem a areia.

 

Nota: Para os mais fanáticos, também a carne de porco pode ser preparada um dia antes, e já que se faz isso com as amêijoas, o trabalho será o mesmo. É cortar a carne do lombo do porco em pequenos cubos e temperá-la a gosto. Pode levar louro, pimentão, pimenta, vinho branco, alho esmagado, sal, colorau, cravinho… com o que se quiser. Depois é deixá-la a marinar, submersa nessa mistura, durante toda a noite.

 

Vinho: Tinto Alentejano.

 

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