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Opinião

 

Caro Secretário-Geral,

Caro Secretário-Geral Adjunto,

Caríssimos Camaradas,

 

Ouso enviar-lhes esta mensagem hoje, porque considero ser este um momento grave e preocupante para Portugal e para os Portugueses, que necessitam mais do que nunca de um Partido Socialista, forte, assumido e unido na sua diversidade, coeso e corajoso.

Na minha qualidade de Coordenadora da Secção do PS de Bordéus, Gironde (Europa), desde o chumbo do Orçamento do Estado que me deixou em estado de choque, tenho debatido, explicado, mobilizado e sensibilizado os nossos compatriotas para a importância do voto no próximo dia 30 de janeiro.

Na minha qualidade de membro da Comissão Nacional e da Comissão Política Nacional do PS, tenho ido ao encontro dos Portugueses e das Portuguesas, que há muito se afastaram da política e deixaram de acreditar nos seus protagonistas, que me dizem ser sempre os mesmos, de eleição para eleição.

Com o espírito crítico que me caracteriza, tenho ouvido, escutado, compreendido, dialogado, construído pontes e assumido compromissos sobre a necessidade de continuar a acreditar nos valores que defendemos em uníssono no PS, os de uma sociedade mais justa, de todos, com todos e para todos, procurando tranquilizar os eleitores, motivando-os a participar ativamente no nosso destino comum, fora e dentro das nossas fronteiras.

Afirmei-lhes que um português fora de Portugal também é Portugal.

Acredito caríssimos camaradas que, ao defender o PS, o meu Partido de sempre, defendo Portugal e o interesse dos Portugueses.

Sou considerada, reconhecida, respeitada, ouvida por todos, porque não tenho vícios escondidos, nem interesses pessoais ocultados. Por isso veículo uma voz de confiança.

Infelizmente, não tenho “peso” para ser ouvida e suficientemente considerada, nem pelo Secretário-Geral do meu Partido, nem pelo Secretário-Geral Adjunto, nem tão pouco pelo Presidente do meu Partido Socialista, figuras políticas a quem sempre dei o meu apoio.

Porque razão sou transparente aos olhos da Direção do meu Partido, quando, militante da primeira hora, fui agora também eleita para os órgãos nacionais?

Porque faço parte dos órgãos nacionais, eleita por uma tendência minoritária liderada pelo camarada Daniel Adrião?

Será que já se esqueceram caríssimos camaradas, que também já foram minoria? E que apesar de serem minoria foram agregados e não excluídos, isto no mais profundo respeito daquela que sempre foi a identidade e a cultura do Partido Socialista?

Disse o camarada António Costa hoje à SIC que o PS estava unido.

Lamento contradizê-lo caro Secretário-Geral, mas, não respondendo às solicitações de trinta membros eleitos para os órgãos nacionais, que querem ser ouvidos pelas instâncias superiores, que representam muitos militantes de base que pretendem através da nossa voz serem também ouvidos e respeitados, não está a contribuir para a união do Partido Socialista, cujos resultados eleitorais pediu para serem reforçados nas próximas eleições legislativas.

A união que permitiu a nível interno no último Congresso, não aconteceu a nível nacional, pela ausência de diálogo, de concertação, de vontade de inclusão democrática.

Sinto-me discriminada, desprezada, ignorada, excluída pela Direção do Partido Socialista,

Sublinho que falo aqui em meu nome pessoal, como militante fiel do PS há cerca de quase 40 anos, primeiro como dirigente local da JS em Almada, depois como Coordenadora da Secção do PS de Almada e agora como Coordenadora da Secção do PS de Bordéus, Gironde, França.

Falo como membro ativo da Comunidade portuguesa em França, dirigente de várias associações e recentemente eleita Presidente do Comité Nacional Aristides de Sousa Mendes.

Nessa qualidade, como mulher portuguesa, socialista, resistente, uma voz das Comunidades nos órgãos nacionais do PS, penso ser meu dever alertá-lo para a urgência da união do PS, de todos os seus militantes sem exceção, também dos que pensam de maneira diferente, porque também eles são socialistas, e porque a luz só nasce da diversidade de opiniões,

«Somos todos diferentes e todos iguais»

É esse o meu lema.

E peço-lhes, caríssimos camaradas que seja essa também a vossa posição antes que seja tarde demais.

O PS unido é invencível!

Perderemos esta batalha tão importante para Portugal e para os Portugueses, se o PS for, ao contrário do que sempre foi, o Partido da exclusão de uma parte dos seus.

Gostaria de poder dizer-lhes, caros camaradas: Estamos juntos até à vitória final do próximo 30 de janeiro.

Infelizmente isso não depende de mim, de nós, mas da vossa vontade de inclusão e de união!

 

Espero que este meu desabafo de militante encontre o eco da urgência de uma resposta!

Só unidos poderemos vencer: pelo PS, por Portugal, pelos Portugueses !

Quero acreditar que estamos juntos !

 

Isabel Barradas

Técnica Superior no Consulado Geral de Portugal em Bordéus

Coordenadora da Secção do PS de Bordéus, Gironde

Presidente do Comité Nacional Aristides de Sousa Mendes

Membro da Comissão Nacional do PS

Membro da Comissão Política Nacional do PS

 

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