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A Associação Portuguesa Cultural e Social (APCS) de Pontault-Combault, o Instituto Lusófono e a Mairie da cidade, organizaram este sábado um evento para se despedirem de Mário Castilho, cofundador da APCS e seu Presidente durante cerca de 40 anos, mas que agora se mudou para a cidade de Gap, no sul da França onde decidiu aproveitar a reforma.

O evento teve lugar na Salle Madame Sans-Gène, na Mairie de Pontault-Combault (77), na presença do Maire Gilles Bord, da Maire Honorária Monique Dellesard, do Deputado Paulo Pisco, do Cônsul Geral Adjunto de Portugal em Paris Filipe Ortigão, da Coordenadora de ensino português Adelaide Cristóvão e do Presidente da Câmara de comércio e indústria franco-portuguesa (CCIFP), Carlos Vinhas Pereira. Desculparam-se por não poderem estar presentes o Embaixador Jorge Torres Pereira, o Cônsul Geral Carlos de Oliveira e o Deputado Carlos Gonçalves.

As honras da casa foram feitas pelo atual Presidente da APCS, Cipriano Rodrigues, na presença de muitos dirigentes e simpatizantes da associação franco-portuguesa.

Com muita emoção, Cipriano Rodrigues lembrou a professora Débora Cabral Aruda que se encontra em convalescença no seguimento de um grave acidente de viação, e lembrou também aqueles que ficaram na história da associação, mas que já faleceram, como é o caso do professor Joaquim Pires, da jovem dirigente Sandra Carreira, do antigo Maire Jacques Heuclin, do antigo permanente José Algarvio e do cofundador Manuel Amaral.

Virando-se em português para Mário Castilho, Cipriano Rodrigues lembrou que “de julho de 1975 até agora, já lá vão 46 anos, mas parece que foi ontem”. Mário Castilho também lembrou “como se fosse hoje” a primeira vez que encontrou Cipriano Rodrigues. “Estava a fazer um discurso sobre o 25 de abril, na Salle Jacques Brel. As pessoas não estavam a gostar, chamavam-me comunista, e no meio da sala, estava o Cipriano Rodrigues a aplaudir com entusiasmo”.

Desde então, os dois homens são se voltaram a separar. O atual Presidente lembrou a primeira Festa franco-portuguesa, “em tom de brincadeira, à volta de um assador de sardinhas e com o nosso amigo palhinhas – para quem não saiba, o palhinhas era o garrafão empalhado que trazíamos de Portugal” disse com humor.

“Já vai longe o tempo do assador” disse por sua vez o Maire Gilles Bord. “Hoje passam pela Festa franco-portuguesa mais de 30 mil pessoas durante os dois dias”. Hoje, é certamente o maior festival de música portuguesa realizado em França, pelo menos quando a pandemia o permite.

Mário Castilho foi também o obreiro da primeira geminação entre localidades de França e de Portugal. “Nós queríamos Viana do Castelo, mas o meu amigo Coimbra Martins, recentemente falecido e então Embaixador de Portugal em França, sugeriu-nos Caminha” disse o homenageado. Ainda hoje a geminação está ativa.

“Mário Castilho tem esta particularidade de nos lembrar constantemente porque razão fazemos as coisas, qual foi o objetivo inicial, para não nos perdermos de direção” lembrou Gilles Bord. “Não te podes envergonhar do teu percurso. Deixas uma marca que não pode ser apagada na cidade de Pontault-Combault”.

O Presidente da associação lembrou também a implicação de Mário Castilho em prol do ensino da língua portuguesa em Pontault-Combault, que o levou a criar o Instituto Lusófono que continua a dar aulas de português. Aliás a associação está instalada numa antiga escola, decida pela autarquia.

E foi lembrado ainda o Protocolo assinado entre a associação, a Mairie de Pontault-Combault e a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

O Deputado Paulo Pisco lembrou ainda o “percurso exemplar” de Mário Castilho e referiu que “sinto-me em casa quando aqui venho”.

O Comendador Mário Castilho – porque foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com as insígnias da Ordem de Mérito – agradeceu com emoção a “despedida” que lhe foi organizada e mudou-se agora para Gap onde ocupa os tempos livres à descoberta dos percursos pedestres da região. Mas sabe que continua a ser bem-vindo em Pontault-Combault.

“Tu, Mário, és um dos alicerces desta casa, um dos principais comandantes deste navio, tu fizeste viver este projeto, quiseste sempre ir mais além! E foste! E conseguiste” disse com emoção Cipriano Rodrigues. “O meu obrigado, em nome pessoal, o nosso obrigado em nome de toda a família APCS, o nosso obrigado em nome de todas as famílias da Comunidade portuguesa, a quem dedicaste grande parte da tua vida, o teu tempo, o melhor de ti”.

 

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