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A dois passos do Natal, os alunos de português da localidade de Groslay (95), no Val d’Oise, continuam sem ter aulas de português. A professora habitual engravidou, sabem que vão ter uma substituta, mas… por enquanto não tiveram uma só aula durante este ano escolar.

Há quatro anos atrás não havia aulas de português na cidade. Foi a mobilização dos pais que permitiu que a situação “desbloqueasse”. Estava bloqueada… na Coordenação de ensino de português! Os pedidos que lá chegavam anualmente, ficavam na gaveta, sem resposta. Os pais queriam aulas de português, os Diretores das escolas também, a Mairie também, mas…

Com a chegada da professora, as inscrições dispararam nas duas escolas da cidade. Com 40 alunos, a professora teve de dividir o grupo em dois e ter uma turma em cada uma das duas escolas da cidade.

No seguimento da “pressão” dos pais e dos Diretores das escolas, e com a cumplicidade do Inspetor da Academia, as aulas “mordiam” no horário escolar dos alunos – os alunos tinham de sair das salas de aula habitual para irem à aula de português.

Só que no ano seguinte, a professora, sem concertação com os pais, decidiu concentrar as aulas numa só das duas escolas da cidade, deixou de dar aulas durante a semana e passou as aulas para as quartas-feiras. O resultado foi imediato, os cerca de 40 alunos no primeiro ano, passaram para cerca de 20. Uns deixaram de ir por ser à quarta-feira, dia em que não há escola, outros deixaram de ir por terem de se deslocar de uma escola para a outra.

No fim do ano escolar anterior, a professora anunciou que estava grávida, mas que seria substituída no início deste ano escolar. Provavelmente foi, mas na verdade, os pais não receberam nenhuma informação oficial da Coordenação do ensino. Interrogados, os Diretores das escolas respondiam que também não tinham qualquer notícia das aulas de português. Ninguém sabia de nada!

Há duas semanas, alguns alunos – não todos – receberam uma comunicação da nova professora substituta, via Direção da escola, informando que as aulas iriam começar, virtualmente, sem contudo dizer quando deviam começar. Mas ainda não começaram.

Contactados pelo LusoJornal, alguns pais desesperam. Não compreendem porque razão as aulas não começaram, se já estava previsto antes das férias que a professora estaria de baixa. Não percebem porque não receberam nenhuma comunicação oficial a informar da razão pela qual as aulas não começaram no início do ano escolar, sabendo que o discurso oficial é que as aulas de português são aulas “oficiais”, integradas no programa escolar francês, enquanto disciplina de opção. Não compreendem porque razão as aulas deixaram de ter lugar durante o horário escolar e passaram a ter lugar à quarta-feira, quando as outras crianças estão a fazer atividades extraescolares. Não percebem agora porque razão as aulas têm de ter lugar à distância, quando as escolas primárias francesas estão a funcionar normalmente e presencialmente.

Afinal não terá o português o estatuto que as entidades oficiais dizem que tem?

Alguns pais já programaram entretanto outras atividades para os filhos às quartas-feiras, e os pais das crianças que vão para o Centre de Loisirs à quarta-feira, não poderão, evidentemente, participar nas aulas à distância, que foram pensadas para as famílias que não trabalham e que estão em casa a guardar os filhos.

A situação incomoda os pais, sobretudo aqueles que se bateram para que haja cursos de língua portuguesa nesta localidade que tem uma geminação com Mogadouro, incomoda também os Diretores das escolas que ficaram sem informação sobre esta situação e incomodará certamente as crianças que já perceberam que as aulas de português “não é para levar a sério”.

Entretanto, como noticiava o LusoJornal ontem de manhã, a Coordenação de ensino de português em França vai lançar uma campanha de promoção da língua portuguesa em França…

 

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