8   +   5   =  

Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

ULFE de Dijon: “Pedimos apoio a Portugal, mas nem nos responderam”

LusoJornal / Chico Correia LusoJornal / Chico Correia LusoJornal / Chico Correia LusoJornal / Chico Correia LusoJornal / Chico Correia LusoJornal / Chico Correia LusoJornal / Chico Correia

A União Luso-Franco-Europeia (ULFE) de Dijon é certamente uma das maiores associações portuguesas de França. Tem uma sede construída de raiz com cerca de 1.200 metros quadrados, e tem atividades praticamente todos os dias. Mas a pandemia de Covid-19 veio trazer graves problemas à coletividade que, aparentemente, estão ultrapassados.

Segundo António Costa, o Presidente da ULFE, a associação necessita de cerca de 4.300 euros por mês para pagar as despesas fixas, nomeadamente com o empréstimo em curso, com as despesas de água e de luz, seguros… E é totalmente autofinanciada. Só que durante o período de confinamento a associação teve de encerrar completamente as portas, e sem atividades não tinha entradas financeiras em número suficiente para cobrir as despesas mensais. “Agora a situação está melhor” diz António da Costa numa entrevista “Live” ao LusoJornal.

“Para nós foi mesmo muito complicado, porque a partir do mês de março não tivemos eventos nenhuns, tudo foi cancelado e nesse sentido tivemos bastantes dificuldades. Não temos ajuda do Governo francês, porque as prioridades não são as associações, porque nós não temos animadores assalariados, somos todos voluntários e então tivemos bastantes dificuldades, mas temos de afrontar o que vem pela frente”.

 

“Temos orgulho na nossa Casa de Portugal”

O edifício da ULFE foi construído num terreno cedido pela Mairie de Dijon por 99 anos. Só a estrutura principal é que foi construída por uma empresa contratada para o efeito, porque tudo o resto é o resultado de trabalho voluntário e da participação de várias empresas portuguesas da região.

O edifício tem uma enorme sala polivalente, tem um espaço para bar, restaurante e tem um andar superior ainda inacabado. “Ainda não temos o andar acabado, estamos a preparar pouco a pouco, com os nossos meios, com as ajudas dos nossos voluntários. Nesse andar temos escritórios, vai ter salas de conferências e desta forma teremos mais possibilidades para receber a Comunidade portuguesa mas não só, nós também recebemos organizações francesas é até de outros países” disse o Presidente da associação.

O percurso até à inauguração da “Casa de Portugal” foi longo. Começou no início dos anos 90 quando as duas associações portuguesas de Dijon – a “cultural” e a “desportiva” – decidiram fusionar para criar a ULFE. Depois, os dirigentes da associação tiveram mesmo de fazer uma manifestação durante uma reunião do Conselho Municipal para que a Mairie decidisse enfim atribuir um terreno à associação. Hoje, o Presidente António Costa diz-se “orgulhoso”.

“Esta casa é o prestígio da nossa Comunidade, não só em Dijon, mas também na Europa. Os nossos dois Deputados, Paulo Pisco e Carlos Gonçalves, têm corrido a Europa e dizem-nos que esta associação é a única na Europa com essa dimensão. Isto deu muito trabalho, muitos cuidados, muito esforço, feito por nós todos, mas hoje quero agradecer a todos os que participaram nesta construção”.

 

Atividades praticamente todos os dias

A associação tem atividades praticamente todos os dias. O bar está aberto entre sexta-feira e domingo e serve jantares. “Também servimos jantares de grupo para outras associações – temos associações que vêm fazer aqui as Assembleias gerais às vezes com um jantar incluído – e nós alugamos este espaço para aniversários, casamentos, batizados”.

A associação continua a ter 12 equipas de futebol, nos diferentes escalões, uma equipa de futsal, tem um grupo de folclore, um grupo de fado, um grupo de caminhadas, um grupo de passeios de bicicletas, um grupo de motoqueiros, uma rádio, tem as “tardes recreativas” aos sábados, onde os pais vão fazer compras e deixam ficar os filhos na nossa associação, dá aulas de língua portuguesa para cerca de 60 adultos, e também tem dois professores de zumba que animam 3 sessões por semana, para adultos e para crianças às quartas-feiras.

A ULFE também organiza festivais de folclore, todos os meses organiza um jantar para 200 a 250 pessoas e participa num vasto programa cultural da cidade, o “Printemps de l’Europe”.

“Em novembro, em geral, as escolas da cidade costumam vir aqui fazer um piquenique, na nossa sala” enfim, é uma casa com vida.

A associação também esteve na origem da geminação entre Dijon e Guimarães. “É uma geminação evidente já que o pai do primeiro rei de Portugal era francês, era o duque de Borgonha, e em Dijon morou Isabel de Portugal, a mulher de Philippe Le Bom” confirma António Costa.

 

“Portugal não nos apoia”

“Nós tentamos levar a cultura portuguesa aos Franceses, mas Portugal não nos apoia em sentido nenhum” acusa António Costa. “Eu quero deixar aqui esta informação: Portugal não nos tem ajudado em nada”.

António Costa disse, no entanto, ao LusoJornal que a associação teve, pelo passado, um apoio financeiro de 20.000 euros concedidos pelo então Secretário de Estado José Cesário, e depois teve mais 20.000 euros pelo então Secretário de Estado António Braga.

“Os funcionários do nosso Consulado em Lyon estão aqui todos os meses para fazer Permanências consulares na nossa associação. Nós emprestamos a sala gratuitamente e nunca tivemos nenhuma ajuda, nem do Consulado, nem da Embaixada. Toda a gente sabe muito bem que nós temos as salas à disposição do Governo português, mas não temos tido ajuda nenhuma” queixa-se.

Mas aquilo que mais fere António da Costa é a falta de resposta aos pedidos que são feitos. “Devido a esta situação de confinamento, e pelo facto de nós não termos atividades, fizemos um pedido de apoio à Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Até hoje não recebemos nenhuma resposta. Acho que merecíamos ter pelo menos uma resposta da parte do nosso Governo. Nós estamos a fazer tudo o que fazemos para a Comunidade e que transmitimos tudo quanto sabemos, mesmo se somos todos voluntários”.

A ausência de resposta choca o dirigente associativo que é de Baião e que lamenta também que durante o seu mandado, o anterior Secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro – que foi durante anos Presidente da Câmara Municipal de Baião – não tivesse visitado aquela importante instituição portuguesa em Dijon.

 

 

Associações
X