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Comunidade

 

O Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, terminou a sua missão em terras gaulesas e declara que as relações entre França e Portugal nunca estiveram tão bem e que a Comunidade portuguesa tem peso no país.

“Eu não tenho medo de dizer que estamos no momento mais alto das relações entre Portugal e a França, houve uma série de fatores que se juntaram. Tem a ver com as transformações da globalização, de termos conseguido introduzir-nos nas cadeias de produção francesas, da importância que foi dada à educação em Portugal e que leva a que tenhamos um nível de recursos humanos muito interessante, e depois há aqueles aspetos de sorte, já que com ou sem incentivos fiscais, os franceses redescobriram o nosso país”, disse Jorge Torres Pereira em entrevista à Lusa.

Assim que chegou em 2017, o diplomata português que já tinha sido distinguido no seu posto em Pequim devido ao seu dinamismo no âmbito económico, marcou reuniões com os principais investidores franceses em Portugal e assegura que o retorno desta ação foi muito positivo. “Muitos aceitaram e isso foi uma aposta ganha da nossa parte. Dei também atenção a ‘clusters’ que devem ser acarinhados, mantendo uma atenção aos setores mais tradicionais, como por exemplo o setor tecnologia, aeronáutica, espaço e oceanos. E assim estabelecemos redes de pessoas interessadas em Portugal”, explicou.

Atualmente, a França é o segundo maior cliente de Portugal em termos de exportações, mas também a um nível diplomático, em parte devido ao peso da Comunidade portuguesa em França, as relações estão de boa saúde. “Os meus interlocutores sabiam que não estavam apenas a falar com um representante de um Estado aliado da União Europeia, com um relacionamento económico que é conhecido, mas havia sempre essa questão de haver em França uma Comunidade importante e com uma dimensão política interessante”, explicou.

Dispondo da embaixada na rue Noisiel, no 16º bairro de Paris, Jorge Torres Pereira emprestou o hotel particular de Levy – sobre o qual chegou mesmo a publicar um livro durante a sua missão – a vários eventos inusitados como passagens de modelos, degustação de vinhos ou exposições de arte.

“É evidente que as embaixadas hoje não podem ser como há 100 anos e, de certa maneira, a beleza arquitetónica desta embaixada cria responsabilidades adicionais. Nós vivemos numa época em que tem de haver uma justificação para este quadro que temos aqui, não pode ser só para atividades clássicas e, uma parte da aceitação da continuação da existência de uma residência deste tipo, passa por uma abertura”, justificou.

A utilização da embaixada para os mais diferentes eventos, recebendo desde figuras como Ministros e Presidentes de grandes empresas do CAC 40, até jovens influenciadores digitais e personalidades da Comunidade, é também para este diplomata uma metáfora da posição de Portugal no mundo, sendo um país com uma história “sólida”, mas sem medo de se reinventar.

Quanto à política interna francesa, e sem se querer alargar, o Embaixador português disse estar otimista quanto ao futuro europeu da França apesar de o Presidente, Emmanuel Macron, não se poder candidatar para um novo mandato em 2027 e Marine Le Pen deter agora um grupo de 89 Deputados na Assembleia Nacional. “Sou um europeísta convicto e acho que todos nos congratulámos com a coragem do candidato Emmanuel Macron de pôr a Europa como um dos temas da sua campanha e eu acho que esse lado da continuação do trabalho necessário em França para a continuação do projeto europeu não está em causa”, declarou Jorge Torres Pereira.

Jorge Torres Pereira será substituído nos próximos dias por José Augusto de Jesus Duarte, até agora Embaixador de Portugal na China.

 

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