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O segredo (ou adivinha) da semana passada já foi revelado. A estreia de Felipe Oliveira Baptista como Diretor artístico da marca Kenzo foi um sucesso, impulsionado pela criatividade própria e pela inteligência com que associou ao seu trabalho a criatividade de Júlio Pomar citando a iconografia de uma das suas mais célebres séries de pinturas, colagens e desenhos: a dos Tigres. Toda a imprensa celebrou esse resultado, embora na quase ignorância dos referentes (que eram também Açoreanos nalguns dos capuzes femininos que redesenhou). Isto marca o desconhecimento que ainda rodeia a obra de um artista que viveu trinta anos em Paris; e o muito que ainda há a fazer para passarmos de país de turismo a país de cultura.

Para esta semana uma nova mão cheia de decisivos momentos de lusofonia, espalhados entre eventos de Historiografia, Literatura, Música e Pintura.

Dia 4, o lançamento do disco “Alentejo Ensemble” pelo Rancho de cantadores de Paris, acompanhado de uma exposição de desenhos de Anna Turtsina, terá lugar no Consulado Geral de Paris, às 18h30, e celebra os 5 anos de elevação do Cante Alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Dia 5, às 19h00, o historiador Fernando Rosas (depois de ter estado na Livraria Ombres Blanches, em Toulouse, dia 3, às 17h00) vem a Paris, à Librairie Portugaise et Brésilienne, apresentar uma obra significativamente intitulada “L’Art de Durer”, sobre os mecanismos de sobrevivência do fascismo em Portugal. No dia 6 estará, às 14h30, no Collège d’Espagne (na Cidade Universitária) para discutir essa mesma obra com Yves Léonard e Mercedes Yusta Rodrigo.

Oportunidade também, esta semana, para encontrarmos Mia Couto que apresenta o seu último romance traduzindo em francês, Les Sables de l’Empereur, um fresco do Moçambique colonial onde ficção e história se cruzam. Dia 4, na Librairie Portugaise et Brésilenne, entre as 12h00 e as 13h00; no dia 5 estará, acompanhado pela sua tradutora, Elisabeth Monteiro Rodrigues, na Livraria Millepages (91 rue Fontenay, em Vincennes), às 19h30.

Finalmente, pintura de um lusófono de adoção: de Michael Biberstein, suíço-alemão-americano (que durante mais de 30 anos foi também português!) e a quem se deve o projeto do teto da Igreja de Sta. Isabel, em Lisboa, são apresentadas na galeria Jeanne Bucher-Jeager, do Marais, pinturas, e também desenhos e aguarelas, que nos colocam num espaço atmosférico delicado e profundo, entre o céu e a montanha, entre o observação da natureza e a introspeção espiritual.

Boas escolhas culturais e até para a semana.

 

Esta crónica é difundida todas as semanas, à segunda-feira, na rádio Alfa, com difusão antes das 7h00, 9h00, 11h00, 15h00, 17h00 e 19h00.

 

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