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Ensino

 

De acordo com o Protocolo assinado entre a França e Portugal, Portugal suporta as despesas do ensino da língua portuguesa em França no ensino básico (Primaire) e a França suporta as despesas com o ensino secundário (Collège e Lycée).

Só que, desde o início do ano escolar (dia 1 de setembro), há professores de português colocados em França pelo Instituto Camões, que estão a ser pagos, mas que não podem dar as respetivas aulas, sem que tal anomalia pareça preocupar o Estado português.

Já em anteriores artigos, o LusoJornal tem vindo a abordar algumas anomalias nas relações entre o Instituto Camões e as Academias francesas (ler AQUI) mas, mais de dois meses depois de terem começado as aulas em França, há escolas onde o ensino da língua portuguesa ainda não começou.

No entanto, o Governo anunciou que este ano, o ensino de português em França foi reforçado com mais dois professores!

No início do ano escolar, a Coordenação do ensino português em França tinha a rede de escolas onde seriam afetados os professores, só que, os professores não podem iniciar logo as aulas.

Têm, primeiro, de se apresentar nas Inspeções académicas para assinarem aquilo que se chama um “Procès Verbal d’Installation”. No fundo, trata-se de um ato de apresentação formal. Nem sempre as Academias recebem os professores de português logo nos primeiros dias de aulas. Em certos casos, este primeiro encontro pode demorar duas ou três semanas, e por vezes mais.

Mas, depois desta “apresentação”, os professores do Instituto Camões – que ensinam em França no quadro do programa EILE (Enseignement international de langues étrangères) – têm de esperar que lhe seja entregue o “Arrêté d’affectation” sem o qual não se podem apresentar nas respetivas escolas. Trata-se de um documento que lhes permite apresentarem-se aos diretores de escola e começarem efetivamente a lecionar.

Neste dia 7 de novembro, há professores que ainda não receberam este documento, pelo que não podem apresentar-se nas escolas. Alguns contactam regularmente as Inspeções académicas, insistindo para obter o documento, em vão.

Estas “anomalias” não acontecem em todas as Academias, nem com todos os professores de português, mas acontecem. E acontecem todos os anos, mesmo se este ano, parece que atingem prazos nunca antes encontrados.

Para além de Portugal estar a pagar a professores para ficarem em casa e para além do incómodo dos professores que se sentem impotentes para resolver o problema, há milhares de alunos que estão sem aulas de português e há pais que criticam este “achincalhar” do ensino da língua portuguesa em França, sem que ninguém lhes explique se a Coordenação do ensino, a Embaixada de Portugal, o Instituto Camões ou algum Ministro se digna abordar este assunto com as autoridades francesas.

Quando tal é possível, os professores de português têm mantido o contacto com os antigos alunos, explicando a situação e prometendo que iniciam as aulas logo que lhes for possível. Mas na verdade, os professores não têm a lista dos alunos aos quais vão dar aulas e os alunos que se inscreveram pela primeira vez nas aulas de português, não lhes foi dada nenhuma informação desde o início do ano escolar. As famílias certamente já se organizaram com outras atividades e provavelmente já não frequentarão as aulas se elas vieram efetivamente a começar.

Esta é uma situação recorrente e estranho mesmo é que Portugal continue a dizer que tem cada vez mais alunos a aprender português em França!

 

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