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O Embaixador de Portugal em Paris, Jorge Torres Pereira, reuniu na segunda-feira desta semana, na Embaixada de Portugal, com um coletivo de associações que constituem a Comissão de Acompanhamento do Português em França (CAPEF): a ADEPBA, a Coordenação das Coletividades Portuguesas em França (CCPF), a Associação Cultural para os Estudos Portugueses (ACEP), a Associação dos Diplomados Portugueses em França (AGRAFr), a Cap Magellan, a Câmara do Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP), a ACTIVA e a CIVICA. Participaram ainda na reunião a Casa de Portugal André de Gouveia, a Coordenação do Ensino de Português em França, o Cônsul-geral de Portugal em Paris, António de Albuquerque Moniz, assim como um diplomata da Embaixada do Brasil.

Em causa estava a recente ofensiva diplomática contra a reforma do BAC em França, que deixa de fora o português da lista de “línguas de especialidade”. A reforma do Ministro francês da educação, Jean-Michel Blanquer, previa que apenas sejam consideradas “línguas de especialidade” o inglês, o alemão, o espanhol e o italiano, por se tratarem das línguas dos países que fazem fronteira com a França. Portugal reagiu firmemente, com o Embaixador Jorge Torres Pereira à frente de uma série de iniciativas junto de Deputados, autarcas, gabinetes ministeriais, que integrou também uma petição assinada por milhares de pessoas, lançada pela associação ADEPBA e com intervenções diretas do Primeiro Ministro António Costa, nomeadamente aquando de um jantar com o Presidente Emmanuel Macron.

Esta série de iniciativas parece ter dado resultados, já que o Embaixador português anunciou agora que o Governo francês “recuou na retirada do português como prova final para terminar o secundário, criando duas zonas de exceção, a título experimental”: uma na Guiana Francesa e outra na região de Paris, que integra as Academias de Paris, Versailles, Créteil.

Esta exceção vai aplicar-se já a partir de setembro, pelo menos com a duração de um ano, e Jorge Torres Pereira afirma que “temos de lutar para que a experiência seja continuada”. Confessou ainda que, durante a reunião, “todos concordaram que era um copo meio cheio”.

O Embaixador de Portugal falava aos jornalistas depois da reunião com as associações e anunciou que escreveu uma carta conjunta, assinada pelos seis Embaixadores de países lusófonos acreditados em França, onde expunham os argumentos que contrariam a reforma do BAC e onde solicitavam uma audiência ao Ministro da Educação. Jean-Michel Blanquer acabou por não responder, mas o Embaixador português considera que “acreditamos que a carta foi um ponto importante”. Aliás Jorge Torres Pereira convidou Jean-Michel Blanquer para um almoço ou um jantar na Embaixada portuguesa, o que poderá vir a acontecer depois da “rentrée”.

A parte francesa aceitou também que se reúna a Comissão bilateral de acompanhamento do ensino entre os dois países, previsto no Acordo assinado em 2017. “Esta Comissão deve reunir-se em Lisboa, em setembro próximo” anunciou Jorge Torres Pereira. Deixou também o compromisso de reunir “regularmente” a CAPEF.

“Ficámos satisfeitos. Já houve um recuo por parte do Ministro e foi por pressão do senhor Embaixador, que mobilizou os outros Embaixadores e também pressão política. Também das associações. Só assim é que podemos mobilizar juntos”, afirmou à Lusa António Oliveira, professor de português no Liceu internacional de Noisy-le-Grand e Secretário-geral da Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros, Africanos e Asiáticos Lusófonos (ADEPBA). A ADEPBA organizou mesmo uma petição afirmando haver “discriminação” da língua portuguesa face a outras línguas que se mantiveram como provas de acesso como o alemão, o italiano ou o espanhol.

“Em 20 anos, não houve uma reunião tão consequente e tão alargada”, salientou Hermano Sanches Ruivo, Presidente da associação Activa que disse mesmo ter-se tratado de um “momento único”.

 

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