Saúde: A dor crónica já tem tratamento

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O tratamento da dor crónica é uma preocupação recente da nossa sociedade e está relacionada com a procura, cada vez maior, da qualidade de vida.

A dor representa atualmente um dos maiores problemas de saúde pública atingindo cerca de 20 a 30 por cento da população, afeta dois milhões de Portugueses com custos anuais de 2 mil milhões de euros por ano e uma perda de 1,5 milhões de dias de trabalho anuais.

A dor aguda surge na sequência de um traumatismo, cirurgia, etc, representando uma defesa do organismo, quando se prolonga por muito tempo (mais de 6 meses) estamos em presença de uma dor crónica que se torna ela própria uma doença.

Pode-se dividir a dor segundo a sua localização, origem e sintomas. Atualmente uma das grandes causas é o envelhecimento que provoca um desgaste ósseo e articular nomeadamente da coluna vertebral. Outras causas de dor são a Diabetes, Neoplasias, Doenças Virais e Doenças do Sistema Nervoso Periférico e Central.

Contudo, há casos em que a dor se torna por si só doença, permanecendo ativa mesmo depois de a causa inicial ter desaparecido. O tratamento da dor tem evoluído do mero alívio para o diagnóstico e tratamento da causa.

 

Quem trata a Dor crónica?

Qualquer médico desde que possua os conhecimentos adequados pode tratar a dor crónica. Atualmente a especialidade que tem no seu programa de formação a dor crónica é a Anestesiologia (anestesia).

 

Quem recorre a consulta de dor?

Cerca de 80 por cento são doentes com patologia da coluna vertebral como hérnias discais, artroses da coluna vertebral, síndrome da cirurgia falhada da coluna, síndrome do golpe do coelho, dores de cabeça e do pescoço que surgem após acidentes de automóvel ou outros, os outros 20 por cento são doentes com neoplasias, dores neuropáticas, fibromialgia, etc.

 

A dor crónica é curável?

É a pergunta que os doentes fazem com frequência na nossa consulta e esta deve ser a principal preocupação dos médicos que tratam a dor crónica identificando aqueles que podem ser curados.

Muitos destes doentes apresentam a clara possibilidade de cura, mas algo de dramático se passa, uma vez que muitos são considerados intratáveis. Por isso é necessário evoluir do mero tratamento e alívio dos sintomas da dor para o diagnóstico, para que se possa diferenciar a dor tratável da dor não tratável. Técnicas como a radiofrequência, nucleoplastia, ozonoterapia terapias intradiscais e vertebroplastia permitem de uma forma relativamente simples tratar e muitas vezes curar as causas da dor em regime ambulatório.

Para aqueles que não têm possibilidade de cura, existem atualmente fármacos que evoluíram nos últimos anos como sejam os derivados da morfina e outros que ultrapassando medos injustificados se tem posicionando como excelente arma terapêutica.

Para os casos refratários e mais difíceis a tecnologia disponibiliza alternativas como a neuroestimulação e a colocação de bombas minúsculas que incorporados no nosso corpo (como um pace maker) permitem controlar a dor de uma forma eficaz.

 

Dr. Armando Barbosa

Anestesiologista, especialista no tratamento da dor

 

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