Saúde: Divórcios sempre a subir

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Terminou as férias e sente que a sua relação amorosa está por um fio? Saiba que não é caso único e que existem motivos para isso! Neste artigo apresento-lhe as principais causas e o que pode ser feito para evitar este sentimento.

No dia-a-dia é difícil desligar do stress e ansiedade causados pela necessidade constante de responder com prontidão aos compromissos e solicitações profissionais e pessoais. Em muitos casos a vida amorosa não escapa a este “ram-ram” diário. Isto leva a que muitos casais vivam o período prévio às férias com alguma ansiedade e expectativa em relação ao que desejam fazer, nesta altura.

Não é raro que ao longo do ano muitos casais (ou pelo menos um dos parceiros) reconheçam que a relação precisa de algo diferente, mas acabam por priorizar outras coisas: o trabalho, a família alargada, a educação dos filhos, ou qualquer outra situação, geralmente, parecem sempre de resolução mais urgente que a conjugalidade. Acontece que o acumular da frustração pela insatisfação na relação amorosa poderá causar ansiedade, stress, baixa autoconfiança, irritabilidade, alteração do estado do humor, além de que, muitas vezes é responsável pelo afastamento emocional e/ou sexual no casal.

Como terapeuta conjugal não é raro ouvir afirmações como: “Nas férias temos mais tempo para estarmos juntos sexualmente” ou “Sem o stress do trabalho, comunicamos muito mais e sentimo-nos emocionalmente mais próximos”, e tantas outras justificações que os casais apresentam como alibi por não agirem ao longo do ano. No fundo, esperam que as férias sirvam como um toque de Midas que resolverá as suas dificuldades conjugais.

Deixe-me perguntar-lhe: “Preferia receber uma flor todos os dias, ou um ramo de flores num só dia?”. Penso que a maioria das pessoas prefere a primeira opção, mas muitos casais funcionam de acordo com a segunda hipótese. Ou seja, acreditam que apenas alguns dias irão compensar todos os outros em que deixaram a relação para segundo plano.

Além disso, algumas destas expectativas acarretam um elevado risco, principalmente quando o casal acumula uma série de “não ditos” e conflitos mal resolvidos! A esperança que em pouco mais de quinze dias se resolvam situações “pendentes” há meses, que se consiga comunicar o que não foi dito, ou que se arranje tempo para compensar os momentos em que estiveram afastados, muitas vezes sai frustrada!

No fundo, muitos casais “apostam as fichas todas” no período de férias para resolver os seus problemas conjugais. Acontece que o facto de passarem mais tempo juntos poderá trazer ainda mais infelicidade, principalmente quando se encontram no limite pela acumulação de problemas não resolvidos!

Muitas vezes, a presença do outro torna-se insuportável, principalmente quando se começa a reparar que a realidade não está a acompanhar as expectativas que foram criadas! Então, começa-se a fazer balanços e a questionar se a relação faz sentido ou se será melhor colocar um “ponto final”.

Não será por acaso que alguns estudos apresentam um aumento significativo da taxa de divórcios no período pós-férias (aproximadamente 1 em cada três divórcios ocorre após as férias de verão), e segundo alguns profissionais de psicologia e terapia conjugal é normal existir um acréscimo de aproximadamente 30%, de novos pedidos de ajuda para psicoterapia de casais com esperança de salvar a relação.

O que podem os casais fazer para evitar entrar nestes números? Em primeiro lugar é importante referir que não existem formulas mágicas e, por isso, cada parceiro e/ou casal deverá avaliar o estado da sua relação com alguma regularidade. Se notarem um afastamento emocional ou intimo, procurem avaliar as possíveis causas e como podem ultrapassá-las em conjunto. Sugiro, por exemplo, que todos os meses dediquem algum tempo para falar sobre o estado da vossa relação, identificando o que mais gostaram na vossa relação e no/a vosso/a parceiro/a.

Finalmente, se tiverem dificuldade em ultrapassar as vossas divergências, mas consideram que a relação ainda faz sentido, procurem ajuda de um psicoterapeuta conjugal… não fiquem à espera que as coisas se resolvam por si mesmas!

 

Fernando Mesquita

Psicólogo Clínico/Terapeuta Sexual e Conjugal

 

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