Saúde: Sinais de abuso sexual

Comunidade

 

O conhecimento dos sinais de abuso sexual pode ajudar a dar voz às crianças. Por vezes, as crianças não compreendem que, o que lhes está a acontecer, é errado. Ou podem ter medo de falar. Os sinais podem ser muito diferentes de criança para criança. Podem aparecer imediatamente ou durante a vida da criança. Estes sinais podem ser: alterações físicas, comportamentais e emocionais.

As crianças por vezes revelam apenas uma quantidade muito pequena de informação, que pode ser algo tão simples como: “Não gosto de ir à casa desta pessoa” ou “Esta pessoa é nojenta”. Os pais devem prestar atenção a comentários como estes e pedir à criança para falar mais sobre esse assunto.

A maioria das vítimas não apresentam provas físicas do seu abuso (84% dos casos), devido à capacidade do corpo de cicatrizar rapidamente, assim como pelo atraso entre a denuncia e a avaliação.

 

Mudanças de comportamento

Pais ou responsáveis devem estar atentos se a criança ou o adolescente muda o seu comportamento, se começa a ter medos que não tinha anteriormente (por ex. do escuro, de ficar sozinha ou de se aproximar de determinadas pessoas); ou, então, tem mudanças extremas no humor: era extrovertida e passa a ser muito introvertida, era calma e passa a ser agressiva. A rejeição ou mesmo o pânico a pessoas da família também pode ser um sinal de alerta, visto que, a maioria dos casos é praticado por familiares próximos.

 

Proximidade excessiva

Se, ao chegar à casa de familiares ou conhecidos, a criança desaparece durante várias horas para brincar com um primo mais velho, tio ou padrinho ou se é alvo de um interesse incomum de adultos dentro da família, em situações em que ficam sozinhos sem supervisão, é preciso estar atento a esse alerta. O abusador amiúde manipula emocionalmente a vítima que nem sequer percebe o que se está a passar, o que pode levar ao silêncio por sensação de culpa.

 

Regressão

A vítima pode apresentar comportamentos que já havia abandonado, como urinar na cama ou voltar a chupar o dedo. Ou ainda, apresentar crises de choro sem motivo aparente. Isolar-se com medo, não confiar em ninguém, não sorrir ou usar roupas desadequadas para o clima em questão, por exemplo, usar camisolas de manga comprida, que podem esconder lesões de automutilação.

 

Segredos

Para manter o silêncio da vítima, o abusador pode fazer ameaças de violência física e ameaças de expor fotos íntimas. É comum, também que os agressores usem presentes, dinheiro ou outro tipo de benefício material para construir a relação com a vítima. É preciso explicar às crianças que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com adultos de confiança, como a mãe ou o pai.

 

Hábitos

As crianças vítimas de abuso também podem apresentar alterações repentinas dos seus hábitos. Pode ser desde um mau desempenho escolar, falta de concentração, recusar participar em atividades, alterações na alimentação (anorexia, bulimia), distúrbio do sono como pesadelos e insônia, medo de ficar sozinho e mudança na aparência e na forma de se vestir.

 

Questões de sexualidade

As vítimas podem reproduzir o comportamento do abusador noutras crianças/adolescentes. Podem apresentar linguagem ou comportamento sexual inadequado para a idade da criança.

 

Questões físicas

Os sinais físicos de abuso sexual são raros, no entanto, podem existir situações em que as crianças/adolescentes podem apresentar infeções sexualmente transmissíveis ou mesmo gravidez. Outros sinais de alerta incluem: roupa interior rasgada, equimoses, contusão, edema ou irritação na zona genital, infeções urinárias de repetição, dificuldade em urinar ou evacuar, dificuldade em andar ou sentar-se, dor, prurido, ou ardor na zona genital.

 

Negligência

É com frequência que o abuso sexual em crianças vem acompanhado de outros tipos de maus-tratos, como a negligência. Crianças que passam muitas horas sem supervisão ou que não têm o apoio emocional da família, com diálogo aberto com os pais, estão em situação de maior vulnerabilidade a este tipo de abuso.

 

Professor Doutor Albino Gomes

Enfermeiro e perito forense

 

Donativos LusoJornal