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O hipismo em Portugal, apoiado pelo PMU, empresa francesa de apostas hípicas, vai sofrer grandes alterações em maio deste ano. Segundo o calendário previsto pela Santa Casa da Misericórdia, que gere as apostas em Portugal, as apostas hípicas em território luso deverão ser uma realidade a partir de maio.

As apostas seriam apenas nas corridas internacionais, visto que Portugal não tem Hipódromos para competições deste nível, e, claro, o mercado francês, gerido pelo PMU, é um mercado preferencial.

LusoJornal falou com Ricardo Carvalho, Presidente da Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida – criada em 1997 -, que abordou o início das apostas e das consequências para o futuro da modalidade.

 

Em maio começam as apostas?

As apostas deverão começar em maio de 2019 segundo o calendário da Santa Casa da Misericórdia. Estas apostas em Portugal serão sobre as provas que decorrem no estrangeiro. De notar que a legislação das apostas foi aprovada em 2015. Agora estamos à espera. De referir que a licença para organizar provas é detida pela Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida, mas precisamos primeiro das apostas a funcionar.

 

A partir daí poderá haver corridas em Portugal?

O nosso problema eram as apostas que não tínhamos. As apostas apenas foram legalizadas em 2015. Isto tudo com o apoio do PMU, do Le Trot e da France Galop. Irá ser um grande desenvolvimento para o país. Para as provas, também já está aprovada a construção de três Hipódromos, um no Norte, outro o Centro e outro no Sul do país. Tudo está a evoluir. Temos garantias da Santa Casa da Misericórdia, que tem a concessão das apostas, que as apostas hípicas para as provas no estrangeiro estarão a funcionar a partir de maio de 2019, isto segundo todas as reuniões que temos mantido. Para as corridas nacionais, teremos de esperar pela construção do Hipódromo. Mas estamos confiantes e sabemos que o português é apostador. Com o apoio de todos vamos conseguir.

 

Onde poderão ser construídos esses Hipódromos?

Um deverá ser no Porto, outro na Região de Lisboa, e o outro no Algarve, e muitos centros de treino espalhados pelo país todo. Mas, claro, temos de ir passo a passo, começando por construir um Hipódromo.

 

É necessário ter parceiros para avançar com esses desenvolvimentos?

Existe um acordo entre o Le Trot e a Liga Portuguesa de cavalos de corrida desde 2008 para o desenvolvimento das corridas em Portugal. Temos os regulamentos do Le Trot, os nossos cavalos são registados e legalizados. Os jockeys ou drives neste momento também são.

 

No que diz respeito aos cavalos, de onde vêm?

Os cavalos de trote são franceses, devido ao acordo com o Le Trot, mas também há cavalos espanhóis que vêm competir em Portugal. Nas provas de galope, os cavalos são cavalos árabes ou mais conhecidos por puro sangue árabe, e temos também puro sangue inglês a competir. De notar que também temos controlos anti-doping nas nossas provas para dar mais confiança aos espetadores e aos apreciadores das provas. Temos tudo dentro das normas, precisamos agora apenas do financiamento que passará pelas apostas. Ninguém vai construir um Hipódromo se não houver apostas. O que defendemos é que haja um Hipódromo em cada grande cidade, e que hajam Centros de treino nos arredores das grandes cidades para haver um desenvolvimento rural à volta e não apenas nas grandes cidades.

 

Neste momento há corridas em Portugal?

Neste momento as corridas são em pistas pequena com 600-700 metros tanto em galope como em trote. Os prémios são baixos porque não há apostas. Quem paga os prémios são as autarquias, os patrocinadores, alguns privados e até os proprietários dos cavalos com o dinheiro da inscrição. Isto é para a máquina funcionar. Todos os cavalos são legalizados. Os jockeys podem competir em todo o mundo. Tudo no que diz respeito ao galope e ao trote. A burocracia está a funcionar. Neste momento as corridas são quase como um espetáculo visto que o público não pode apostar. Estão ali para apreciar as corridas. Com as apostas, tudo vai mudar. Aliás os Hipódromos vão ser realizados para receber as duas provas, trote e galope. Neste momento temos 150 cavalos de trote e 150 de galope. São 20 dias de corridas, com sensivelmente 160-180 corridas por ano. Em termos de prémios, andamos à volta de 150 mil euros, é uma realidade pequena em relação aos 10 milhões de euros de lucros do PMU.

 

Em França, em Vincennes, há uma dia de provas dedicado a Portugal, qual é a sua opinião sobre esse evento?

É um evento importante que se realiza há vários anos, aliás estive presente primeira vez na última edição. Estou muito contente por ter vindo, esteve muita gente. Fiquei surpreendido com o número de espetadores e de portugueses presentes no Hipódromo.

 

Por fim, corridas com cavalos lusitanos poderão ser realizadas?

Não dá. O Lusitano também é um puro sangue, mas é complicado mudar a genética para outras coisas como corridas. É um cavalo que tem um galope diferente. Todos os cavalos correm, mas há uns que são mais rápidos do que outros. Acho que não fazia sentido haver corridas com cavalos lusitanos.

 

 

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