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A pandemia da Covid-19 veio provocar um autêntico sismo nas trocas comerciais mundiais à qual evidentemente Portugal não pode escapar. A atividade económica em Portugal e no resto do mundo foi profundamente afetada pela propagação do vírus, pelas medidas de contenção e pelo impacto sobre o comportamento dos agentes económicos. As perspetivas económicas permanecem rodeadas de elevada incerteza, estando muito dependentes da evolução da doença e da rapidez da vacinação em larga escala.

Embora se projete uma retoma da atividade económica em 2021, o seu ritmo será condicionado pelo impacto da crise sobre a capacidade produtiva e pela necessária reafetação de recursos entre empresas e entre setores.

Em consequência, as exportações, como as importações, sofreram grandemente. Paradoxalmente, em termos absolutos dos fluxos produzidos e em virtude de uma maior progressão marginal das exportações que das importações, a balança comercial de Portugal beneficiou grandemente do facto, reduzindo-se notavelmente o défice. Resta esperar, numa interpretação macroeconómica, que não se trate de um efeito meramente conjuntural, na medida em que o que lhe está na origem é, na realidade, uma terrível quebra da atividade económica mundial e, a forciori, a perda de empregos, do poder de compra, a diminuição dos investimentos e uma grande incerteza no futuro, em suma, da riqueza do país. Serão necessários anos para retomar o curso da economia e os níveis dos anos precedentes.

Neste contexto, as mais recentes estatísticas do INE (Instituto Nacional de Estatística) traduzem, em 2020, uma diminuição de -10,2% das exportações portuguesas de bens relativamente ao ano anterior, que se estabelecem em 53.772 milhões de euros (contra 59.903 milhões em 2019), enquanto que as importações registam uma diminuição de -15,2%, situando-se em 67.823 milhões de euros (contra 79.977 em 2019).

Estes fluxos acabaram por se traduzir, como referido, por uma importante melhoria do défice da balança comercial portuguesa, cujo saldo passou de -20.074 milhões de euros em 2019, para -14.051 milhões de euros em 2020, ou seja, uma recuperação de 6.024 milhões de euros. A taxa de cobertura das importações pelas exportações melhorou para 79,3% (74,9% em 2019).

No mesmo contexto, assume notável relevância o facto de o maior saldo comercial positivo de Portugal ser com a França, no valor de 2.288 milhões de euros, realçando-se, desta maneira, o seu elevado contributo para a referida melhoria do saldo da balança comercial. Esta contribuição é tanto mais evidente quando comparada com os saldos positivos sequentes mais importantes, o dos EUA (1.423 milhões) ou do Reino Unido (1.223 milhões) e, muito especialmente, com o enorme saldo negativo com Espanha (-8.451,9 milhões de euros) e, em menor escala, com a Alemanha (-2.670,3 milhões) ou com a China (-2.498,8).

Por zonas geográficas, a União Europeia representa 71,4% das nossas exportações totais (38.386 milhões de euros) e 74,6% das Importações (50.615 milhões de euros).

Os países terceiros, mercados extracomunitários, representam 28,6% das exportações (15.387 milhões de euros) e 25,4% das importações (17.208 milhões de euros).

 

Exportações e importações portuguesas, por países

Espanha, um quarto das Vendas e um terço das Compras nacionais

 

As trocas comerciais contraíram-se fortemente em 2020, face à enorme crise, mas a estrutura global dos dez primeiros parceiros manteve-se sensivelmente a mesma dos anos precedentes.

Assim, em matéria de exportações, a Espanha continua a ser, com larga vantagem, o nosso principal cliente, com uma quota de mercado de 25,4%, ou seja, mais de 1/4 das nossas exportações. A França ocupa a segunda posição, com uma quota de mercado de 13,5%, à frente da Alemanha, com 11,8%. Estes três países representam mais de metade (50,7%) das exportações portuguesas, sendo que a Espanha compra tanto como a Alemanha e a França reunidas. O Reino Unido (5,7%), os EUA (5%) e a Itália (4,4%) ocupam os lugares seguintes, como principais clientes. Entre os países tradicionais, será de notar que, em virtude da forte quebra de -29,7% das exportações para Angola em 2020 (após -18,1% em 2019 e -15,2% em 2018), este país ocupa a nona posição no ranking dos principais clientes, com uma quota de mercado de apenas 1,6%, enquanto que o Brasil, com uma quota de 1,4%, não consta no ranking dos primeiros dez clientes.

Quanto às importações, a exemplo do que se passa com as exportações, igualmente três dentre eles, Espanha (com 32,6% de quota de mercado), Alemanha (com 13,3%) e França (com 7,3%) ocupam os primeiros lugares no ranking e contribuem, por si sós, em mais de metade das nossas importações globais (53,2%). A Espanha, largamente à frente de todos os parceiros, representa praticamente um terço (32,6%) nas nossas compras. A Itália (5,5% de quota de mercado) e Holanda (5,2%) e China (4,5%) ocupam os lugares seguintes.

 

Trocas comerciais entre França e Portugal

França, segundo cliente e terceiro fornecedor

Melhor saldo positivo para Portugal

 

Com 67,2 milhões de habitantes, detentores de um elevado poder de compra, a França é a sexta economia mundial, a segunda ao nível da União Europeia, e um dos principais exportadores e importadores (ocupa a 6ª posição, a nível mundial, em ambos os fluxos).

Trata-se de um parceiro económico e comercial de primeira importância para Portugal, ocupando, desde há vários anos, a 2ª posição como cliente e 3ª posição como fornecedor. Em 2020, o saldo da balança comercial entre os dois países foi fortemente favorável a Portugal, foi mesmo o maior saldo comercial positivo de entre todos os países.

Em 2020, as exportações portuguesas para França, face aos efeitos notórios da pandemia, diminuíram, se assim se pode dizer, de apenas -6,1%, estabelecendo-se em 7.271 milhões de euros, enquanto que as importações provenientes de França, num valor de 4.983 milhões de euros, caíram espetacularmente de -36,5%.

Estes movimentos traduzem-se por uma notável melhoria da balança comercial bilateral entre os dois países, cujo saldo passou de -104 milhões de euros em 2019, para 2.288,4 milhões euros em 2020, com uma taxa de cobertura que passou para 146%, ou seja, Portugal vende 46% mais à França do que lhe compra.

As principais exportações são “Veículos e outro material de transporte” que, desde há anos, ocupam a primeira posição no ranking. Em 2020, não obstante uma diminuição de -14,9%, mantém-se a mesma posição relativa, com um valor de 1.438 milhões de euros. As “Máquinas e aparelhos”, com um valor de 853,5 milhões de euros, mantêm-se no segundo lugar, com uma quota estável de 11,7%, seguindo-se-lhes o capítulo dos “Metais comuns”, num valor de 792 milhões de euros e uma quota de mercado de 10,9%. Estes três capítulos contribuem em 42,4% das vendas para França. O “Vestuário” e o “Calçado”, produtos tradicionais das nossas exportações, revelam comportamentos contrários, o “Calçado” com uma diminuição de -17,5% e as “Matérias têxteis” com um aumento de +25%.

No que se refere às compras provenientes de França, há que salientar a enorme quebra de -63% verificada no capítulo dos “Veículos e materiais de transporte” que, não obstante, se mantém na primeira posição, com um valor de 1.418 milhões euros (3.867,7 milhões de euros em 2019). Na segunda posição, com uma quota de mercado de 15,4% e apesar de uma diminuição de -20,9%, mantém-se o capítulo das “Máquinas e aparelhos, mecânicos e elétricos”, com um valor de 767,8 milhões de euros. Seguem-se os “Produtos químicos” e os “Produtos agrícolas”, com 11% e 8,5% de quota de mercado, respetivamente. As compras nacionais estão fortemente concentradas nestes quatro grupos de produtos que, no seu conjunto, contribuem em 63,8% das importações provenientes de França.

 

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