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Uma grande maioria dos 625 proprietários dos blocos 1 e 2 do Clube Praia da Rocha, em Portimão, são emigrantes em França. Mas desde a compra, nos anos 80, não têm parado os problemas com a gestão do condomínio. Maria Fontan, residente na região de Lille, preside, desde março de 2009, uma associação que pretende defender os direitos dos proprietários, que já teve 130 associados e em 2015 fez mesmo uma greve de fome para denunciar situações que considerava anormais.

Atualmente Maria Fontan pede a revogação do Administrador do condomínio, e há um processo em tribunal para impugnar a última Assembleia Geral de fevereiro deste ano. Os proprietários dos dois blocos criaram um fórum fechado de discussão, nas redes sociais, e o LusoJornal leu os desabafos que nele exprimem e as reações de quem se queixa da gestão.

A comercialização dos apartamentos do Clube Praia da Rocha começou em França nos anos 80. Porque era aqui que moravam os promotores do investimento, os irmãos Monteiro, um deles é o pai do piloto Tiago Monteiro. Maria Fontan diz mesmo ao LusoJornal que “95% dos clientes eram em França. Tinham um escritório em Saint Maur, onde tratavam de tudo”.

Com a venda dos apartamentos estava também a gestão dos condomínios durante 10 anos e foi depois que tudo começou a complicar-se. Em 2009 surgiram problemas, aliás amplamente evocados nas páginas do LusoJornal nessa altura, com os contadores de eletricidade e água que eram globais a cada bloco e a justiça obrigou a colocar contadores individuais. “Foi um primeiro grande momento de luta” lembra Maria Fontan.

Desde então sucederam-se os Administradores, algumas das empresas faliram, os processos em tribunal foram sendo cada vez mais e a última Assembleia Geral de 2020 foi uma boa ilustração da situação destes dois blocos. Há um processo em curso para pedir a impugnação das decisões da reunião.

Um dos contenciosos atuais tem a ver com a piscina. Durante cerca de 30 anos, os proprietários utilizaram a piscina dos blocos, até que agora os informaram que a piscina não faz parte dos lotes. “Foi-nos proposto comprarmos partes na piscina, por 10.000 euros cada proprietário, o que faz mais de 6 milhões de euros para a compra da piscina” explica Maria Fontan ao LusoJornal. “Alguns proprietários foram pagando, mas o dinheiro ia para a conta do condomínio. É estranho”.

Um engano no envio de um mail pelos serviços de gestão do condomínio criou indignação junto dos proprietários. Maria Fontan diz que “a piscina foi comprada pelo Administrador por metade do preço que ele pedia aos proprietários e manda cartas de intimidação enquanto Administrador para as pessoas pagarem” diz ao LusoJornal.

No bloque os proprietários lamentam que a piscina esteja “às moscas, sem ninguém”.

Mas Maria Fontan denuncia também que há parcelas que não pagam o condomínio e o Administrador perdoou-lhes os últimos 5 anos. Pouco a pouco os proprietários vão denunciando a situação. O Fórum ao qual o LusoJornal teve acesso é claro, e apelam os proprietários para terem cuidado com os pagamentos que fazem. “A uns perdoam tudo, a outros reclamam pagamentos de 10 anos, enquanto a lei só permite que se reclamem dívidas dos últimos 5 anos” assume Maria Fontan.

Maria Fontan pede para que as pessoas “contestem e exijam as faturas. Não podemos fazer confiança ao Administrador” e garante que mesmo as pessoas que não contestaram durante a Assembleia Geral, “já perceberam que estavam a ser enganados e vão-se juntando a nós”.

A posição dos proprietários que o LusoJornal contactou parece unânime: “temos de mudar urgentemente de Administrador”. O caso está em justiça.

 

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